Quebra na soja pode ser maior
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 19 de março de 2004
Reportagem Local 
Pelos dados da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) a quebra da safra de soja este ano é maior do que o previsto inicialmente. Aida faltam dados definitivos, mas estimativas preliminares apontam um cálculo modesto, para o tamanho do estrago causado pela seca e ferrugem. Quem não fez controle preventivo da ferrugem asiática sofreu mais, segundo técnicos, mas ainda é difícil quantificar as consequências.
A produção de soja na safra 2003/04 deve somar 51,5 milhões de toneladas, 11% abaixo da previsão inicial de 57,6 milhões de t, segundo a CNA. A quebra resultou das más condições climáticas e da incidência da ferrugem asiática nas principais regiões produtoras.
Em valores, as perdas somam R$ 4,071 bilhões. Os números foram apresentados pelo presidente da Comissão de Cereais, Fibras e Oleaginosas da CNA, Macel Caixeta, ao ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, conforme a Agência Estado (Fabíola Salvador), esta semana.
Com a quebra de 6.100 t na safra, a iniciativa privada revisou, para baixo, a estimativa de exportação do complexo neste ano. As vendas externas de soja em grão, farelo e óleo de soja devem somar US$ 10 bilhões, já deduzida a perda de US$ 1,2 bilhão causada pela quebra de safra. Mesmo abaixo da previsão inicial, as exportações vão superar o resultado de 2003, quando os embarques geraram receita cambial de US$ 8,1 bilhões.
Ao ministro Roberto Rodrigues, Caixeta lembrou que além da queda de produção e da redução da expectativa de exportação, a desvalorização dos preços da soja no mercado internacional prejudica os produtores.
Sem acesso ao crédito oficial em volume suficiente para o custeio da lavoura, os produtores firmaram contratos de financiamento de soja verde com operadores de mercado, por cerca de US$ 9 a saca.
Esse valor significa prejuízo de US$ 5,5 por saca, quando comparados aos preços médios que agora estão sendo praticados no mercado internacional.


