Uma semente de qualidade e alta tecnologia é o primeiro passo para se colher uma safra de sucesso. Bem antes dos recordes de produção, exportação e faturamentos elevados, cabe aos multiplicadores investirem no cultivo e colheita dessas sementes para que outros agricultores tenham acesso facilitado à tecnologia ano após ano.
Como acontece com os grãos voltados para a indústria, a multiplicação de sementes passa pelas mesmas dificuldades durante a safra, como as intempéries climáticas. Em 2014, o forte calor no início do ano no Estado atrapalhou a produção de sementes de soja, principalmente na região Norte, o que pode gerar dificuldades em encontrar os produtos no próximo plantio. Os números não são oficiais, mas existe uma estimativa de quebra de 40% na produção de sementes da oleaginosa no Paraná.
De acordo com levantamento da Associação Paranaense dos Produtores de Sementes e Mudas (Apasem), a safra 2012/13 fechou com produção de 250 mil toneladas de sementes de soja e 125 mil toneladas de trigo, as duas principais culturas desenvolvidas, com crescimento de 25% e 14%, respectivamente, frente ao período anterior. Outras culturas como aveia, milho e centeio têm produção de sementes bem inferior, variando entre 8 mil e 16 mil toneladas. Ainda segundo números da entidade, a movimentação do mercado paranaense gira em torno de R$ 1 bilhão por ano.
Para a safra 2013/14, os números ainda não estão fechados. A semente de soja deve sofrer quebra, enquanto a de trigo, devido à demanda de mercado mais aquecida e melhores preços, deve saltar para a casa das 130 mil toneladas, um crescimento de 4%. A expectativa é que este montante seja suficiente para atender a área de 1,2 milhão de hectares - aumento de 27% frente a safra passada - e expectativa de produção de 3,8 milhões de toneladas, 101% maior que o período anterior. Os números são do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura do Paraná (Seab).
De acordo com o presidente da Apasem, Raphael Rodrigues Froés, a oferta e a demanda de sementes estão bem ajustadas no Estado. "Ano passado, o quilo da semente de soja estava sendo comercializado a R$ 2,70, enquanto o trigo custou R$ 1,10/quilo. Este ano, a soja permaneceu nos mesmos patamares, mas o trigo está na casa do R$ 1,50/quilo."
O produtor que plantou trigo agora usou variedades de sementes produzidas no ano passado, que passaram por geadas, e a oferta de algumas variedades foi reduzida. No caso da soja, apesar de as altas temperaturas terem assolado as primeiras colheitas de sementes este ano, Fróes não acredita em falta de produto ou oscilações de valor para a próxima safra. "Apesar da matéria-prima estar 20% mais cara, com a quantidade de oferta e importações de sementes de outros estados, acreditamos que o preço fique ajustado em comparativo à safra passada", decreta o presidente da Apasem.

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