Curitiba - A quebra da produção do milho safrinha já está mobilizando avicultores e suinocultores, preocupados com a perda dos estoques internos e com a concorrência das exportações. A redução da safra foi estimada pelo Deral, esta semana, em 30%, em relação à previsão feita no início do plantio.
Não há mais condições de reversão do quadro porque o período de plantio já passou. Além disso, o clima continua seco e as perdas podem se agravar, avisa a engenheira agrônoma Vera da Rocha Zardo, do Departamento de Economia Rural (Deral), vinculada à Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento.
Esta semana, os dirigentes da Associação Paranaense de Suinocultores (APS) e do Sindicato da Indústria de Abates de Aves (Sindiavipar) encaminharam pedido à Secretaria da Agricultura para que intermedie junto ao Ministério da Agricultura e à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) a recuperação dos estoques públicos de milho no Estado.
''A seca vem prejudicando o plantio do milho safrinha desde o início do ciclo. Alguns produtores chegaram a plantar após as chuvas esparsas que caíram durante o mês passado, mas as plantas estão em estado precário por falta de continuidade de água no solo'', disse o assessor econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Flávio Turra.
No Norte Pioneiro, os produtores não conseguiram concluir o plantio. Vera Zardo acredita que diante da escassez de chuvas, os produtores já desistiram de plantar o milho safrinha. No Paraná, 90% da área prevista para o plantio foram efetivamente plantadas. O Deral previa inicialmente o plantio numa área de 1,45 milhão de hectares. Após reavaliação, a área foi reduzida para 1,18 milhão de hectares.
A técnica acredita que será necessário uma segunda reavaliação, que vai apontar nova redução de plantio, devendo ficar entre 1,0 e 1,1 milhão de hectares ocupados com lavouras de milho safrinha. Até o momento, a expectativa de produção é de 4,3 milhões de toneladas, 30% abaixo da produção colhida no ano passado que foi de 6,07 milhões de t.
A queda na produção está sendo prevista em função da redução do uso de tecnologia e queda de produtividade. O rendimento de 4.431 kg/ha alcançado no ano passado, certamente não irá se repetir. O Deral está trabalhando com a expectativa de produtividade da ordem de 3.650 kg/ha, se o clima não piorar.

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