Quanto maior a dedicação, melhor o desempenho
Antonio Gerage, engenheiro agrônomo do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), explica que a existência de uma doença em uma lavoura se dá por meio de três fatores. ''Toda doença começa por meio de um patógeno, que é disseminado por um hospedeiro'', explica Gerage. O engenheiro acrescenta que para a doença se multiplicar é preciso condições climáticas favoráveis.
Gerage é especialista em milho. Segundo ele, só nessa cultura, são mais de 20 doenças que podem atingir as lavouras. O especialista aponta que o milho é uma das culturas mais complicadas de se manter uma segurança sanitária. Isso, explica o pesquisador, porque o ciclo da cultura não é quebrado, ou seja, planta-se milho o ano todo.
As doenças que mais atingem o milho, aponta Gerage, são: pinta branca, cercosporiose e ferrugens: comum, polissora e tropical. Além disso, a helmintosporiose, pode comprometer 50% da lavoura, enfezamentos pálido e vermelho, chegam a prejudicar de 30% a 40%. Ainda existem podridão de colmos e das espigas, dentre outras doenças.
O especialista do Iapar destaca que a gravidade de cada doença depende do grau e período de infestação. Porém, Gerage garante que a realização de um manejo adequado, pode evitar a presença de quase todas elas. ''A primeira dica que passo para o produtor, tanto na primeira, quanto na segunda safra, é plantar na época certa''.
O segundo passo, aponta o pesquisador, é a realização obrigatória da rotação de cultura, mesma dica dada para quem planta soja. Gerage enfatiza que esse procedimento pode interromper o ciclo de várias doenças. Além disso, salienta o pesquisador, utilizar sementes certificadas é um passo importante e fundamental para manter a lavoura sadia. ''No plantio, por exemplo, a adubação deve ser equilibrada. Se todas essas medidas preventivas forem tomadas, o controle químico até pode ser dispensável'', avalia Gerage.
O pesquisador acrescenta que a maior dificuldade do produtor é fazer a rotação. Isso, explica ele, devido à contigência do mercado, que está exigindo cada vez mais a matéria-prima. Porém, Gerage alerta que se essas práticas não forem adotadas, muitas variedades podem, ao longo do tempo, perder a eficiência. Segundo ele, porque as doenças podem se tornar resistentes aos fungicidas hoje utilizados.
Reginaldo Sabio, engenheiro agrônomo da Integrada Cooperativa Agroindustrial, revela que poucos produtores fazem rotação. ''A Integrada orienta que em pelo menos 10% da área seja feito um sistema rotacionado'', enaltece. Segundo ele, a rotação é a melhor ferramenta do agricultor.
Gerage explica que na segunda safra, ou safrinha, o controle de doenças é mais complicado porque o fator clima propicia o aparecimento delas. ''O Norte e Nordeste do Paraná, por exemplo, são as regiões com o maior índice de risco''. Gerage explica que as altas temperaturas e a umidade favorece a perpetuação de doenças. Com um manejo adequado, principalmente em relação à produção rotacionada, Gerage explica que o produtor pode ter ''em suas mãos'' o controle de doenças.
Como a maior parte da produção de milho brasileira é constituída por organismos geneticamente modificados, Gerage acrescenta que o plantio de área de refúgio é outro item fundamental que o produtor não deve deixar de lado. ''Esse sistema controla pragas que podem disseminar doenças'', explica. (R.M.)





