Existe uma relação direta entre clima e praga, que determina maior ou menor infestação: quanto mais seco estiver, maior será o ataque de lagartas, porque o clima seco diminui os fatores de mortalidade do inseto e aumenta a possibilidade de sobrevivência desses predadores. Nessas condições, o agricultor precisa saber manejar a pulverização da lavoura.
A informação é do pesquisador Rodolfo Bianco, do Iapar. Ele explica que as folhas tornam-se mais fracas, porque as plantas estão definhadas e enfraquecidas. Lagartas se alimentam de folhas, mas não apreciam folhas saudáveis; já as folhas enfraquecidas são ‘‘um prato cheio’’.
ManejoAlém disso, no clima seco diminui o sucesso do manejo de pulverização: quando o agricultor faz aplicação de venenos, a lagarta-do-cartucho, ou lagarta-do-milho, principal praga da cultura, está lá dentro, escondida no cartucho, protegida do veneno.
O produtor que vem aplicando veneno com o mesmo volume de água, atinge apenas as folhas; a pulverização fica muito superficial. Por isso são necessários 300 litros por hectare ou 750 l/alqueire. É preciso aplicar com bico, dirigido para o cartucho; não adianta usar pulverizador que espalha o veneno sobre as folhas, pois nesse caso o agroquímico não atinge o cartucho.
Em situação normal de clima, essa deficiência não aparece. A deficiência ocorre em todo o Norte do Paraná. O produtor muitas vezes usa subdosagem quando está chovendo bem, quando a situação não é problemática. Mas, a ineficiência no manejo na época de chuva também provoca danos.
Principais pragasNo início da lavoura, nesta safra, o trips e o percevejo foram as pragas que mais ocorreram, mas agora o bicho que está causando mais preocupação é a lagarta-do-cartucho do milho. Esta é mais prejudicial quando as plantas têm de 6 a 10 folhas abertas, fase que equivale aos 20-30 dias de idade,
O momento adequado para começar o controle da lagarta, deve ser quando 15 a 20% das plantas forem atacadas. Se antecipar, o lavrador estará jogando dinheiro fora; se a praga não for bem monitorada, a infestação pode atingir níveis em que as as lagartas estão mais desenvolvidas e são mais resistentes.
As lagartas desestruturam a área foliar e isso pode causar perda em lavoura sem nenhum tipo de tratamento. De 20 a 50% das lavouras acham-se nessa situação. A pulverização represesenta de 3 a 5% do custo total da produção de milho e no pico da infestação pode chegar a 10%. Os custos de produção representam 60-70% do valor do produto. Isto depende de cada agricultor.

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