Qualidade segue dentro dos padrões
As cooperativas paranaenses, responsáveis pelo recebimento de 70% da produção de trigo do Estado, esperam uma boa safra. Robson Mafioletti, coordenador técnico e econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), afirma que a qualidade do volume já recebido segue favorável. Além disso, frisa o especialista, o momento é positivo para a comercialização do cereal devido à valorização do real frente ao dólar, o que favorece o embarque do produto ao exterior.
Mafioletti afirma que o valor mínimo estabelecido pela saca de trigo está em R$ 35, uma alta de 4,6% em relação ao mesmo período do ano passado. O valor se praticado, atesta o coordenador, já consegue trazer uma certa rentabilidade ao agricultor. De acordo com dados do Deral, o custo variável de produção, que engloba os gastos com insumos, maquinários, assistência técnica e transporte, fechou, em maio, em R$ 32,87 a saca, contra R$ 31,66 a saca contabilizados no mesmo período do ano anterior.
Em agosto, o valor recebido pelo produtor ficou abaixo do mínimo, cotado em R$ 33,54 a saca, ante R$ 33,51 a saca em julho e R$ 32,95 a saca contabilizados em agosto de 2014. Mafioletti afirma que o valor da saca de trigo tende a ficar estabilizado ou pode até mesmo depreciar. Ele observa que a produção mundial de trigo neste ano está estimada em 727 milhões de toneladas e o consumo deve ser de 714 milhões de toneladas. "Vai ter mais produto estocado, podendo haver queda nos preços", destaca Mafioletti.
No mercado internacional, o valor do bushel, que equivale a 27,2 quilos de trigo, está em US$ 4,73. "Esse preço é muito baixo", relata o especialista da Ocepar.
INDÚSTRIAS
Para o setor industrial, o valor da saca de trigo ainda segue favorável, segundo avalia o vice-presidente do Sindicato da Indústria de Trigo do Paraná (Sinditrigo), Marcelo Volsnica. Conforme ele, o valor da tonelada do trigo nacional está em R$ 600, enquanto que a mesma quantidade do trigo importado está saindo por R$ 1 mil.
Neste ano, a previsão das indústrias paranaenses é processar 2,4 milhões de toneladas de trigo, ante 2,2 milhões de toneladas encaminhadas aos moinhos em 2014. Volsnica acredita que, se a qualidade do trigo que tem chegado nas indústrias se mantiver, o ano será de boa safra. "O grande problema é que os moinhos estão com dificuldades em manter o capital de giro", lamenta o vice-presidente do Sinditrigo. (R.M.)





