Qualidade e produtividade no campo
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sexta-feira, 20 de fevereiro de 1998
Paulo Pegoraro 
AmplitudeA exposição Show Rural foi instalada em área de 70 hectaresO Show Rural, originado há dez anos, de um simples dia-de-campo exclusivo para associados da Cooperativa Agropecuária Cascavel (Coopavel), tornou-se um dos principais eventos do País, em termos de divulgação de tecnologias entre agropecuaristas de todas as regiões brasileiras e de países vizinhos. A versão deste ano, realizada na semana passada, reuniu 50 mil produtores, técnicos e autoridades de vários Estados.
O Show Rural lembra uma grande exposição-feira, mas sua finalidade não é comercial, é mostrar maquinaria, equipamentos e insumos para lavoura e pecuária, para os agropecuaristas conhecerem as possibilidades de uso e o emprego das técnicas em suas propriedades. Quem participa conhece a teoria e a prática, e a experiência indica que ela é efetivamente absorvida e aplicada, observa o presidente da Coopavel, Dilvo Grolli.
ExperimentosMais de 4 mil experimentos foram apresentados este ano no Show Rural, que é realizado no Centro Tecnológico Coopavel (CTC), localizado na margem da BR-277, a 15 quilômetros da cidade de Cascavel. O evento é organizado pela cooperativa e empresas públicas e privadas ligadas à agropecuária. Elas mantiveram mais de mil técnicos no CTC, para dar informações aos visitantes. Além disto, foram dadas durante toda a semana dezenas de palestras técnicas.
Cerca de 50 mil pessoas visitaram a mostra de tecnologia para agropecuária
Os experimentos compreenderam, na parte agrícola, as culturas da época, principalmente soja, milho e algodão; manejo de solo, adubação verde, plantio direto, sistemas de irrigação, aplicação de herbicidas, inseticidas e fungicidas (especialmente os biológicos), inoculação de sementes e outras práticas, além de alternativas de produção como frutas, verduras, ervas medicinais, vegetação para a apicultura, e reflorestamento.
Da pecuária foram mostrados resultados de confinamento de gado, bovinocultura de leite, manejo da suinocultura; práticas com aves, suínos e peixes. Parte dos agropecuaristas que estiveram no Show Rural ficaram mais de um dia, para poder percorrer os 70 hectares do CTC e acompanhar as palestras. Entre os visitantes estava um grupo de Alagoas, que permaneceu dois dias, disposto a aplicar naquele Estado tecnologias mostradas em Cascavel.
MinifazendaA Emater atraiu atenções para seu espaço no CTC com a miniatura de uma fazenda, montada em conjunto com a Coopavel, com maquetes de edificações e todos os componentes de uma propriedade real. Para simular plantas, foram utilizadas verduras. Na minifazenda era possível ver os resultados de um projeto de microbacia bem aplicado, com todos os cuidados preservacionistas, enfatizando a preocupação com o meio ambiente.
Edson MazzettoUma minifazenda foi montada pela Emater, para mostrar uma propriedade bem explorada
Em outro espaço foi simulado o resultado do uso inadequado de agrotóxicos. Os técnicos quiseram chamar atenção para o risco de contaminação dos que aplicam os produtos químicos sem utilizar equipamentos de proteção. Em um barracão com luz negra, foi utilizada água (simulando o agrotóxico) com uma substância que, sob esta luz, tornava-se fosforescente ao ser espargida, brilhando na roupa do aplicador.
Indústrias de máquinas agrícolas mostraram aos produtores o resultado do uso correto das máquinas para preparação do solo e evitar perdas na colheita. Tratores e colheitadeiras foram a campo, reproduzindo situações do dia-a-dia nas propriedades rurais. Uma das indústrias, subsidiária de empresa multinacional em Curitiba, apresentou aos visitantes uma linha de tratores de até 100 cv, a primeira série de tratores mundiais produzidos na área do Mercosul.
CompetiçãoO secretário de Agricultura de São Paulo, Francisco Grazziano Neto, esteve no Show Rural em companhia
da vice-governadora do Paraná, Emília Belinati, e do secretário estadual de Agricultura, Antônio Poloni. Grazziano classificou o evento como o mais importante do País, no gênero, e destacou a necessidade dos produtores perseguirem qualidade e produtividade. Segundo ele, hoje há poucos problemas relacionados a crédito para produzir, e então é se preocupar com a competição no mercado.
Para Dilvo Grolli, o discurso da qualidade e produtividade, repetido insistentemente por técnicos e dirigentes de cooperativas, órgãos públicos e empresas agropecuárias, vai sendo devidamente assimilado no campo, e os que não o assimilam vão ficando para trás. O presidente da Coopavel acrescentou que não há mais espaço para produtores que não profissionalizem atividades, e que a propriedade rural deve ser tocada como uma empresa moderna.
Rogério Rizzardi, gerente da Área Técnica da Coopavel, e membro da comissão organizadora do Show Rural, observou que aos agropecuaristas não basta conhecer tecnologias e ter dinheiro para nelas investir. Acima de tudo, é preciso querer, pois muitos detêm aqueles requisitos, mas teimam em não ir à prática. Para Dilvo Grolli, a decisão implica em reciclagem de todo o processo no campo.
ResultadosTecnologias como as mostradas no Show Rural, e divulgadas ao longo do tempo pelas cooperativas e outras organizações, refletem hoje, no âmbito dos cooperados da Coopavel, na produção média de mais de 50 sacas de soja, 110 sacas de milho e 140 arrobas de algodão, por hectare. Segundo Rogério Rizzardi, há uma década, portanto quando da primeira edição do Show Rural, essas médias eram respectivamente de 40 sacas, 85 sacas e 110 arrobas.
O algodão é um dos melhores exemplos das possibilidades abertas pela moderna tecnologia de produção. Técnicos da Cooperativa Central Agropecuária de Desenvolvimento Tecnológico e Econômico, de Cascavel, subvencionada por cooperativas singulares, mostraram isso em áreas que cultivaram em propriedades de agricultores, em várias regiões, com apoio das cooperativas, e conseguiram chegar a produtividade média superior a 225 arrobas.
Os proprietários das terras, sem as mesmas técnicas, conseguiram apenas 175 arrobas. Nas áreas trabalhadas pelos técnicos, o lucro foi equivalente a 128 arrobas por hectare, e nas demais apenas 90 arrobas. Comparativamente, o Brasil tinha em 70 uma produtividade média pouco superior a 30 arrobas, triplicada em duas décadas. No Paraná, onde sempre se aplicou melhor tecnologia, em 70 já eram mais de 70 arrobas, e em pouco mais de duas décadas a produtividade chegaria quase a 120 arrobas por hectare.


