Qualidade da uva como prioridade
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sexta-feira, 13 de julho de 2007
Donizete Oliveira<br> Especial para a Folha 
As boas práticas agrícolas estão na pauta dos produtores de uva de Marialva. Com algumas medidas, eles querem adicionar qualidade ao produto para ganhar mercado, principalmente em São Paulo onde a uva do município tem boa aceitação. Segundo o engenheiro agrônomo Marcos Botton, pesquisador da Embrapa Uva e Vinho, em Bento Gonçalves (RS), investir em qualidade se começa com ações simples na rotina diária dos parreirais, como a qualidade da água utilizada nas parreiras, localização da propriedade (que pode estar sujeita à erosão), seleção do esterco utilizado no parreiral, manuseio correto dos equipamentos para pulverizar a plantação. Recentemente o pesquisador esteve na cidade participando de um evento dirigido a produtores de uva.
Botton destaca que essas ações já integram a prática de muitas empresas do setor. Ele reforça ainda a importância da rastreabilidade no processo de qualificação do produto e na confiança que ela desperta no consumidor. Mas afinal, o que é a rastreabilidade? ''Por exemplo, se o consumidor adquire um tênis com problema, ele devolve à fábrica e por meio de um número é possível saber qual funcionário foi responsável pela falha do calçado. Do contrário, quem teria de responder seria a loja que o vendeu, o que não é correto'', ilustra. Essa mesma prática, afirma, pode ser adotada com as frutas, especialmente a uva.
Hoje, de acordo com Botton, só em Petrolina (PE), há mecanismos para acompanhar a trajetória da uva da parreira até a mesa do consumidor. ''Mas é preciso começar. Nos próximos anos, essa prática vai ser obrigatória para quem quiser se sobressair no mercado'', recomenda.
Para o presidente da Cooperativa dos Viticultores de Marialva (Coaviti), Nelson Ricieri, a colaboração da administração municipal tem sido fundamental para melhorar a qualidade da uva do município. Ele cita as apreensões de uva verde que têm evitado comercialização da fruta abaixo do teor de açúcar (brix 13). ''Todos estão empenhados em prol de uma única causa: melhorar a qualidade do produto final'', acrescenta.
Além do vinho Coaviti - que já está no mercado -, outro projeto da cooperativa é a construção de uma usina comunitária de suco. Empreendimento que vai envolver os vários produtores de suco do município, que enfrentam dificuldades para registrar seus produtos. ''Vamos cuidar dos trâmites burocráticos, como registro e outros detalhes'', explica Ricieri. ''A produção fica centralizada na usina e cada um põe sua marca''.
O secretário da Agricultura e Meio Ambiente do Município, Luiz Carlos Stefano, lembra que a construção do Parque da Uva é outro passo para melhorar a comercialização da fruta colhida em Marialva. A prefeitura já adquiriu o terreno, uma área de cinco mil metros quadrados localizada à beira da rodovia, na saída para Mandaguari. O projeto prevê a construção de um barracão para exposição de produtos derivados da uva.
O Parque da Uva será a sede oficial da Festa da Uva, evento realizado a cada dois anos no município. ''Todas essas ações vão resultar em ganhos para produtores e compradores de uva, mas quem vai ganhar mesmo é o consumidor e a população de Marialva'', avalia o secretário.


