Qualidade da farinha e derivados se mantém
Para o engenheiro agrônomo Dermânio Tadeu Lima Ferreira, doutor em processamento de mandioca pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), de Botucatu, a adição da mandioca ao trigo não comprometerá em nada a qualidade ou o gosto da farinha. Há dois anos, o agrônomo concluiu uma pesquisa realizada pela Fundação para o Desenvolvimento da Tecnologia, Educação e Comunicação (Fundetec) em parceria com a Associação Brasileira dos Produtores de Amido de Mandioca (Abam), no Centro Tecnológico da Mandioca (Cetem), em Paranavaí, a qual provou que, respeitadas as porcentagens e os tipos de farinha, o amido de mandioca pode ser usado sem problemas na fabricação de pães, biscoitos e macarrão.
''Ficou provado que com pequenas alterações no processo de fabricação do pão francês, por exemplo, pode-se adicionar até 20% de amido de mandioca na farinha de trigo que a qualidade e o gosto serão os mesmos'', explica. As alterações, segundo ele, seriam o uso de 1 a 2% a mais de açúcar e mais vapor para fornear o pão.
Segundo o pesquisador, para pães doces e semi-doces como pão de leite, de hambúrguer e de cachorro-quente, a adição pode ser de até 40% de amido de mandioca. ''O valor nutricional não muda, pois o moinho estará trocando amido por amido na composição da farinha. Além disso, o glúten nem é absorvido pelo organismo'', assinala Ferreira. ''O pão ficará com o miolo mais cheio, a casca mais crocante e não ressecará de um dia para o outro'', completa.
Para os macarrões, o agrônomo sugere que a adição de até 15% de amido de mandioca não interfere na composição nutricional da massa. ''Já para os biscoitos, que utilizam farinhas mais fracas na sua composição, é aprovado por lei o uso de aditivos químicos para reforçar a ação do glúten, por isso a adição da mandioca não interferirá em nada'', finaliza. (M.G.)





