Dos 60% dos defeitos no couro que acontecem na fazenda, 40% são por ataque de parasitas, 10% por marcações nos animais com ferro em locais inadequados e 10% por ferimentos em arames, galhos e espinhos. Os dados são da Embrapa Gado de Corte, de Campo Grande (MS).
No caso da marcação de animais, segundo o pesquisador da Embrapa Edson Cardoso, é possível corrigir o erro fazendo o manejo nos locais adequados, dentros das normas já relacionadas pela ABNT. Ao marcar o gado com ferro e fogo o aconselhável é que essa marcação seja feita na cara ou nas patas do animal. E essa marca não deve ter mais do que 11 cm de diâmetro.
Os pecuaristas, como não são remunerados para fornecer um couro de qualidade, acabam marcando os animais em lugares que visualmente fica mais fácil de identificar o rebanho a campo, mas que na indústria prejudica o corte da peça. Outro local que pode ser usado para a marcação é na articulação da coxa com a perna. O animal também pode ser marcado na articulação da paleta com a canela ou na fronte.
Conter os animais em pastos com arame farpado também prejudica o couro e a simples opção de usar arame liso já poderia resolver parte do problema. Também no trato dos animais os peões têm que ser melhor orientados no manejo, não usando rosetas com formas pontiagudas para tocar o gado.
A presença de parasitas em grande volume, como carrapatos, bernes e outros, também prejudicam o couro dos animais. A Embrapa, segundo o pesquisador Edson Cardoso, está desenvolvendo uma vacina para combate ao carrapato, o que deverá, na opinião dele, dar uma ''grande contribuição para reduzir o número de parasitas nos animais e, portanto, os defeitos nas peles.''
No Brasil o maior prejuízo ao couro (40% dos defeitos) é feito pela presença desses parasitas. Enquanto nos EUA apenas 5% a 6% dos couros apresentam bernes e riscos (não existe carrapato por lá), no Brasil mais de 95% dos couros apresentam esses defeitos que segundo as indústrias do setor representam um perda de aproximadamente 50% no valor do couro salgado em relação ao couro americano.
Segundo o pesquisador da Embrapa os sistemas de produção atuais como o novilho precoce, o vitelo do Pantanal, entre outros, que permite um abate mais cedo dos animais, podem também favorecer a produção de um couro de melhor qualidade. Por ficarem menos tempos expostos a parasitas ou a machucados no campo, os animais teriam uma pele com menos defeitos.
A perda em qualidade continua no transporte inadequado dos animais da fazenda até o frigorífico, causando 10% dos defeitos. Para reduzir esse percentual os técnicos aconselham vistoriar a carroceria do caminhão para evitar cantos com pontas de pregos ou parafusos, madeiras quebradas ou qualquer outra coisa que possa machucar o animal.
Na esfola mal feita na hora do abate 15% do couro é prejudicado. Cartilha elaborada por tecnólogos em couro indica que evitar os prejuízos deve-se fazer uma sangria evitando sujar o couro do animal, corte o mais próximo possível da linha de abertura para a esfola (corte ventral) e na esfola manual utilizar facas curvas, para evitar furos e raias de faca nos couros.
A conservação das peles na indústria, com salga bem feita e armazenagem adequadas, reduzem a quantidade de água presente no couro (de 65% para 45%), evitando proliferação de bactérias que também podem atacar e danificar o couro. Na indústria 45% dos problemas dos couros são provenientes da má conservação.

10 mandamentos para
obter qualidade da
carne e do couro

1 - Nunca fazer cerca com arame farpado, utilizar somente arame liso.
2 - Não usar ferrão pontiagudo, nem cães, para o manejo do gado.
3 - Manutenção periódica no combate aos ectoparasitas como carrapatos, berne, mosca do chifre, sarna e piolho.
4 - Manter a pastagem limpa.
5 - Fazer descorna do gado.
6 - Fazer marcação dos animais nos locais adequados como cara, pescoço e canela, com no máximo 11 centímetros de diâmetro.
7 - Vistoriar periodicamente currais, evitando pontas que possam furam os animais.
8 - Balancear a alimentação do gado com suplementos minerais.
9 - Escolher um veículo adequado para o transporte do rebanho até o frigorífico, evitando carrocerias com pontas de madeiras ou pregos.
10 - Gado bem tratado, produz melhor resultado.

Fontes: CICB (Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil)/Programa Braspelco/Indústria de Couro.

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