Qualidade & agregação - Jota Oliveira
Jota Oliveira
Qualidade e agregação de valores à produção enquanto ela ainda está nas mãos do agricultor são preocupações dominantes na 40ª Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina (34ª Nacional e 8ª Internacional) que termina amanhã, 16/4. Esses temas repetem-se com frequência nas conversas e palestras de técnicos, pesquisadores e dirigentes rurais desde o final da década de 90 e penetram nos anos 2000 com força, como indispensáveis na tentativa de vencer as barreiras de toda ordem que se erguem contra os países chamados agrícolas ou celeiros do mundo. Brasil está bem na frente dessa categoria de nações condenadas a serem eternas supridoras das necessidades básicas dos povos menos pobres ou mais ricos.
Fala-se assim, não é por medo do estrangeiro (xenofobia) mas, ao contrário, pelo desejo (por enquanto frustrado) de que os povos de economia mais forte deixem de criar obstáculos aos produtos que não produzem ou que eles produzem menos do que consomem, e permitam que entrem nos seus lares os alimentos de origem vegetal ou animal de que necessitam. Caso contrário a situação torna-se paradoxal: quero e preciso dessa comida, mas quero mostrar ao produtor que, sem mim, consumidor rico, ele não é nada. Não tem para quem vender o que tira da lavoura ou da invernada!
Se os consumidores (importadores) pensam e agem desse modo, os fornecedores precisam defender-se, e a melhor arma é o ataque. Do arsenal coercitivo ou estratégico dos produtores fazem parte duas armas eficientes, além da produtividade e talvez mais importantes do que essa: a qualidade e a agregação de valores. No primeiro caso, o Paraná vem dando o exemplo do café, com seu programa de qualidade lançado na atual Exposição de Londrina.
A segunda arma pode ser a agroindustrialização nas pequenas propriedades, como também pôde ser visto na mostra, nos cursos que ensinam como fazer a transformação, ainda no sítio, de carnes, leite, frutas, hortaliças e outros bens, para que cheguem ao mercado com algum acréscimo, mesmo mínima, pois isso vai colocar mais um pouco de dinheiro no bolso do produtor. Por exemplo: o sitiante vende um litro de leite fresco por R$0,28. Se quiser tirar melhor proveito dessa produção e fabricar queijos ali mesmo na propriedade, para vender diretamente ao consumidor, utiliza 10 litros de leite para fazer um queijo, que pode vender na cidade a R$4,00-R$5,00 o quilo. Somente em produção, ele gasta no leite de R$0,22 (vacas confinadas) a R$0,32 por litro, conforme o sistema de produção.
Assim ele tem algum retorno, principalmente se considerar que em algumas bacias leiteiras do Estado os laticínios pagam de R$0,25 a R$0,27 o litro cru, isto é, abaixo do custo. Além disso, os produtores não tecnificados, que não produzem leite como uma alternativa de renda, desconsiderma nos cálculos de custo os gastos como mão-de-obra, benfeitorias e outros. Seu custo será maior e crescerá mais, se acrescentar despesas como água, energia elétrica, impostos, transporte, embalagem, despesas indispensáveis.
Se ele fizer um quilo de queijo lá no sítio ou na fazenda, gasta, pelos 10 litros de leite, em média R$2,28 por quilo do queijo. Como ele consegue de R$4,00 a R$5,00 o quilo vendido ao consumidor, obtém algum lucro, pequeno, mas está acrescentando valor a sua produção. Terminando as contas: em vez de receber de R$0,22 a R$0,32 por litro, ele recebe R$0,40 ou R$0,50. Isso é agregação de valor.





