Qual hortaliça é mais saudável?
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sexta-feira, 29 de abril de 2005
Célia Guerra<br>Reportagem Local 
Uma vitrine de frutas e legumes não perde no visual para as grandes boutiques. Vestidas de muita cor e brilho, folhosas, frutos e raízes disputam a atenção do consumidor cada uma com a intenção de se mostrar mais apetitosa e saudável. Entre as ''alas'' do cultivo aparecem as hidropônicas, cujo destaque é a limpeza. Já no quesito pureza, a passarela se abre para as orgânicas. Quando o assunto é tradição, sem perder o charme e a beleza, a vez é das cultivadas no sistema convencional. Mas afinal, o que diferenciam esses vegetais e qual é o melhor para a saúde?
Foi esse um dos objetivos do estudo realizado pela professora Sônia Cachoeira Stertz, da Universidade Federal do Paraná, doutora em Tecnologia de Alimentos. Durante cinco anos ela avaliou a qualidade de hortaliças cultivadas nos sistemas convencional, hidropônico e orgânico produzidas e/ou comercilizadas em 18 municípios da Região Metropolitana de Curitiba (RMC). Foram coletadas amostras de agrião d' água, alface crespa, batata, cenoura, couve-flor, espinafre, morango, pepino, tomate-cereja e tomate tipo salada.
Segundo Sônia, o grande diferencial dos produtos orgânicos, apontado tanto por produtores e distribuidores quanto consumidores é a ausência de agrotóxicos. Não existem, de acordo com a professora, estudos conclusivos sobre o aumento nos valores nutricionais desses produtos. Como fatores positivos há uma tendência na redução do teor de nitrato e aumento na quantidade de matéria seca e vitamina C. ''Não há evidências fortes de que alimentos orgânicos, convencionais e hidropônicos diferem em suas concentrações nutricionais'', observa.
No Brasil, a professora destaca que, apesar da falta de pesquisas, a opção por produtos orgânicos se deve a questões de saúde e preservação do meio ambiente. ''Há uma consciência sobre o risco dos produtos cultivados com agrotóxicos''. Paralelo a isso, está também a evolução do conceito de segurança alimentar que, hoje, envolve todos os aspectos de qualidade do alimento, seja nutricional, sensorial, os contaminantes, organismos geneticamente modificados. Há ainda os fatores considerados pontos principais que estão ligados à qualidade de vida (saúde, aspectos ambientais, econômicos, sociais, políticos).
Sônia Stertz explica que os diferentes sistemas de cultivo (convencional, hidropônico e orgânico) buscam exatamente atender à demanda alimentar da população e às tendências de mercado. As diferenças entre eles estão nas características de cultivo, como o preparo do solo, adubação, controle da pragas e doenças, e ainda nos reflexos de cada um no meio ambiente (veja quadro). Entre os sistemas convencional e hidropônico, a principal diferença está no tipo de solo utilizado para o cultivo.
''A hidroponia, ao contrário do sistema convencional, não exige solo. Os nutrientes que a planta precisa são fornecidos somente através da água'' informa. Nos dois sistemas é permitido o uso de agrotóxicos e fertilizantes químicos altamente solúveis, o que, de acordo com a professora, pode alterar a composição e a qualidade dos alimentos além de favorecer a contaminação ambiental.
Já o sistema orgânico, como continua Sônia Stertz, está baseado nos princípios do desenvolvimento sustentável: ecologicamente correto, economicamente viável e socialmente justo. A professora destaca que, para que uma atividade agrícola seja considerada orgânica, ela deve visar a oferta de produtos saudáveis e de elevado valor nutricional,isentos de contaminates intencionais que ponham em risco a saúde do consumidor, do agricultor e do meio ambiente; a preservação e a ampliação da biodiversidade dos ecossitemas; a conservação das condições físicas químicas e biológicas do solo, da água e do ar; a integração da cadeia produtiva e de consumo de orgânicos bem como a regionalização da produção e comércio desses produtos.


