Pura especulação
João Nilceu e Olinda contam que apostaram na estrutiocultura como mais uma opção de negócios. Na compra dos primeiros 15 casais de avestruzes foram gastos cerca de US$ 60 mil (algo em torno de R$ 180 mil, na época) com o objetivo de formar um plantel próprio além de ter aves para atender outros interessados.
As dificuldades, segundo ele, já começaram com a falta de conhecimento sobre a atividade. Os folhetos mostravam que era uma carne muito saudável, mas não citavam as exigências da criação. Muita gente embarcou na idéia fantasiosa de comprar avestruzes e viver a vida ganhando muito dinheiro.
O casal formou um plantel com 600 aves e confessam que nos primeiros anos tiveram ganhos com a atividade. O preço de um casal de avestruzes variava de R$ 10 mil a R$ 15 mil para aves adultas em idade reprodutiva, lembram. Na propriedade foi montado também um incubatório, indispensável para a reprodução das aves, que atendia outros criadores da região. Era uma estrutura muito cara para se manter, quase a diária de uma UTI de hospital, ilustra Olinda.
Desde o início, como afirma, João Nilceu entendeu que a organização dos produtores seria o caminho mais seguro e mais lucrativo para a atividade. Ele foi responsável pela fundação, em Apucarana, da primeira associação de criadores no Paraná, que chegou a reunir 80 sócios.
Entretanto, como ocorre em tudo que representa bons ganhos, a atividade atraiu também os especuladores, os aventureiros que, segundo o produtor, muito contribuíram para o atual quadro de desestruturação do setor. Enquanto trabalhávamos com um pensamento coletivo de montar uma cooperativa, tínhamos em nosso meio pessoas que se aproveitaram das informações para montar empresas próprias, conta.
O principal golpe na atividade aconteceu em 2005, com a falência de uma grande empresa em Goiás, que resultou na quebradeira de outros criadores por todo o País, recorda João Nilceu. Ficamos sem saber o que fazer, aí partimos para o abate e a industrialização. Outra boa empreitada, pois até então havíamos aprendido a lidar com aves vivas. (C.G.)





