Numa área de mil hectares o desperdício de agroquímicos pela falta da inspeção periódica nos pulverizadores pode resultar num prejuízo anual superior a R$ 6 mil, ou o equivalente ao preço de um pulverizador novo de médio porte. A comparação foi feita pelos professores Ulisses Rocha Antuniassi, da Unesp, de Botucatu (SP) e Marco Antônio Gandolfo, da Unespar, de Bandeirantes (34 km a leste de Cornélio Procópio), no trabalho de pós-graduação ''Inspeção Periódica de Pulverizadores Agrícolas''.
O trabalho foi o vencedor do Prêmio Gerdau Melhores da Terra, na categoria Pesquisa e Desenvolvimento. A proposta, segundo Antuniassi, visa a implantação no Brasil, de um sistema de inspeção periódica de pulverizadores. Em mais de 20 países, como a Alemanha e a França, esse procedimento já existe e por determinação de lei. De acordo com os professores, apenas os proprietários de máquinas que estejam em conformidade com a lei, são autorizados à compra de agroquímicos.
Além de garantir a aplicação de defensivos sem desperdício e sem aumento nos custos de produção, o uso de máquinas bem conservadas diminuem os riscos de danos ao operador e ao meio ambiente. Nos últimos cinco anos os professores desenvolveram diversas pequisas de campo para elaborar a metodologia. A inspeção, explica Gandolfo, utiliza métodos e equipamentos específicos capazes de certificar pulverizadores novos ou usados. Além da equipe de campo, a inspeção deve contar com um laboratório base encarregado da calibração dos equipamentos, do valor científico da análise.
Em 126 inspeções realizadas pelos professores nos estados do Paraná e São Paulo, 80% dos pulverizadores com mais de dois anos de uso apresentam desgaste excessivo nos bicos, 70% operam com erros de dosagens e 100% têm problema nos manômetros (medidores de pressão). Há ainda o registro de vazamentos e mangueiras mal localizadas.

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