Pulverizador reduz intoxicações
Jota Oliveira
De Londrina
O equipamento capaz dessa performance está sendo submetido a testes em campos de pesquisa criados pelo convênio Fundacentro/Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo. A parceria - informa a Fundação Jorge Duprat Figueiredo, a Fundacentro, que é um órgão do Ministério do Trabalho -, visa a implementação do Programa de Segurança e Saúde do Trabalhador Rural, que mantém 25 campos de pesquisa em 20 municípios de São Paulo, para avaliação e desenvolvimento da tecnologia nas culturas que mais utilizam agrotóxicos.
Nesses campos estudam-se tecnologias de aplicação de agrotóxicos utilizadas em 18 culturas, cujos sistemas produtivos envolvem intenso uso do produto, como hortaliças e frutas.
Submetido a testes em cultura de morango na região de Jundiaí (SP), o novo pulverizador de agrotóxicos permite a diminuição da exposição dos trabalhadores ao produto em até 60% e a redução do volume de calda aplicada em até 80%. A meta para este ano é diminuir em 90% a exposição dos aplicadores aos venenos.
EquipamentoOs pulverizadores comumente utilizados nessas culturas são o costal manual (o recipiente com agrotóxico é acoplado às costas do aplicador) e o semi-estacionário (a pulverização é feita por meio de longas mangueiras), que causam grande exposição do trabalhador e utilizam altos volumes de agrotóxicos.
De acordo com o engenheiro-agrônomo, Hamilton Ramos, do Centro de Mecanização e Automação Agrícola, do Instituto Agronômico de Campinas, e coordenador do projeto de pesquisa do convênio, o novo pulverizador pode ser utilizado nas chamadas culturas encanteiradas, ou seja, produzidas em hortas e ainda naquelas de porte baixo, como as culturas do arroz, soja e feijão, entre outras.
Trata-se de um pulverizador motorizado, com bitolas reguláveis para adaptar a distância entre os pneus aos diferentes tamanhos dos canteiros. O equipamento pode pulverizar até três canteiros simultaneamente. A estrutura do aparelho ajuda a reduzir a ação do vento sobre a calda pulverizada. Com isso, a exposição do trabalhador é menor e o aproveitamento do produto é maior, pois um litro de calda de agrótoxico poderá render cinco vezes mais, explica o engenheiro.
Outras experiênciasSegundo Hamilton, os campos de pesquisa vêm produzindo resultados e experiências interessantes. Ele aponta o exemplo da cultura da laranja. A orientação dos agricultores para uma simples regulagem no pulverizador de arrasto, usado nessa cultura, permitiu reduzir o volume da aplicação de 15 mil litros de calda por hectare para apenas dois mil litros.
Os municípios onde foram instalados os campos de pesquisa são: Mogi das Cruzes, Presidente Prudente, Registro, São João da Boa Vista, Campinas, Boituva, Avaré, Itaí, Mogi Mirim, Valinhos, Barretos, Votuporanga, Catanduva, Santo Antônio do Pinhal, Marília, Atibaia, Itapeva, Jundiaí, Assis e Itapetininga.
À atividade dos campos de pesquisa somam-se várias outras ações que vêm sendo promovidas pelo convênio Fundacentro/Secretaria da Agricultura, em que estão envolvidos investimentos da ordem de R$4,6 milhões.
Até agora o convênio já deixou como saldo positivo um importante banco de dados sobre o uso de agrotóxicos no Estado de São Paulo; as operações dos carros-laboratórios (peruas Parati equipadas para pesquisa e treinamento sobre tecnologia de aplicação de agrotóxico); os campos de pesquisa; 140 cursos, beneficiando cerca de três mil trabalhadores rurais, com informações sobre os riscos no uso de agrotóxicos, segurança no trabalho e manejo ecológico de pragas.
Para até o final do ano, já estão programados mais 183 cursos, visando atingir mais de duas mil pessoas. O programa inclui ainda atividades de educação ambiental para as crianças das escolas do meio rural.





