Pulgão ataca em todas as fases
Ao contrário da vespa-da-madeira, o pulgão (Cinara pinivora) ataca os pinus em todas as fases de desenvolvimento. As infestações podem começar ainda nos viveiros de mudas e seguem até atingir árvores com 20 anos de idade. Além de sugar a seiva elaborada, que causa danos maiores nas plantas novas, os pulgões depositam um fungo na planta, deixando a árvore preta. Como a maioria dos ataques se dá nas partes mais altas das árvores (as ponteiras), é comum haver uma bifurcação, diminuindo o valor comercial dos troncos adultos.
Quando o ataque é muito intenso, os pulgões podem até matar os pinus. Se ela não bifurca, a ponteira do pinus fica fraca e acaba entortando as árvores, explica a pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Suzete do Rocio Chiarello Penteado, do Centro Nacional de Pesquisas (CNP) de Florestas, em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba.
A velocidade de difusão do pulgão tem impressionado os pesquisadores. O inseto foi detectado pela primeira vez na região sul do Brasil em 1996. Ano passado ele já estava atacando áreas de reflorestamento no Estado de Minas Gerais. Além da alta capacidade de reprodução, eles têm grande autonomia para deslocamento.
As duas espécies mais comuns de pulgões que atacam pinus no Brasil foram importadas dos Estados Unidos em meados da década de 90. Ainda não existe um método de controle eficiente sendo usado no País. Segundo Suzete Penteado, até o final desse ano o Ministério da Agricultura deve iniciar a importação de vespinhas norte-americanas utilizadas como inimigos naturais dos pulgões. As vespas inoculam ovos nos pulgões, parasitando-os. Isso causa a paralisia das atividades e morte do pulgão em poucas horas. O sistema de controle pela vespinha é similar ao do pulgão do trigo, bastante conhecido no Brasil, explica a pesquisadora.
A expectativa de Suzete Penteado é que os predadores naturais sejam importados e a reprodução em laboratório comece ainda nesse ano. Em 2001 vamos iniciar a liberaçãodas vespinhas em campo. A pesquisadora garante que o predador natural não causa desequilíbrios ambientais, pois só inocula ovos nas duas espécies de pulgões que atacam pinus. (E.C)





