Marcos Zanatta
De Maringá
O ideal, para os técnicos e agricultores, seria a troca dos equipamentos com mais tempo de uso. Como nem todos têm condições de trocar, é preciso uma manutenção antes de iniciar o trabalho. ‘‘O correto seria o produtor fazer uma revisão após a colheita, mas isso não acontece. Só agora todos colocam as máquinas em dia’’, diz o gerente de pós-venda Lauri Izolan, da Solomar, revendedora de máquinas agrícolas em Maringá.
Neste fim de mês começa efetivamente a colheita, aumentando também o movimento nas oficinas. ‘‘Mas o produtor daqui procura menos os serviços profissionais’’, revela. Com a experiência de quem já trabalhou nas principais regiões agrícolas do País, Izolan acha que o agricultur do Paraná faz muito mais serviço ‘‘em casa’’ do que em outras regiões. ‘‘Quando o serviço é pequeno, até os operadores fazem’’, conta. Por isso é importante a orientação.
Pontos críticosPara os técnicos e mecânicos o mais importante na hora de revisar a colheitadeira é medir o desgaste da barra de corte, das ‘‘facas’’ e dos ‘‘dedos’’ da plataforma. ‘‘Qualquer peça dessas que estiver quebrada, vai gerar perdas’’, lembra Izolan. Outras partes importantes que merecem atenção, segundo ele, são o ajuste correto do ‘‘sem-fim’’, da barra do cilindro e do bandeijão. ‘‘O importante é uma revisão completa, lógico, mas as perdas começam pelo sistema onde o grão passa’’, lembra ele.
Para a máquina não dar problemas no início da colheita, é importante também que o produtor troque os coxins de borracha da caixa de pneus e do bandeijão. Izolan explica que os coxins aguentam uma safra, e precisam ser substituídos. As correias e rolamentos também devem passar por uma revisão. ‘‘Os agricultores daqui fazem a substituição na propriedade, e sabem da importância dessa manutenção’’, afirma. Izolan explica que uma correia ou rolamento quadrado pode comprometer parte da máquina e atrasar a colheita.
Com a máquina pronta para a colheita, é hora de fazer a regulagem. Os técnicos das concessionárias, da Emater e de algumas prefeituras podem orientar. ‘‘O que falta é o pessoal respeitar a velocidade de colheita’’, afirma o agrônomo Alain Carneiro Zola, da Emater de Ivatuba, região de Maringá. Ele é especialista em máquinas agrícolas. ‘‘As perdas ocorrem por causa do sucateamento, da regulagem e principalmente da velocidade das máquinas’’, garante. Como nem todo produtor está em condições de trocar o equipamento, ele acha que a saída é abusar da regulagem e andar na velocidade ‘‘ideal’’.
DesperdícioSegundo Zola, um operador que se orgulha de colher 1.500 sacas de soja por dia, está na realidade perdendo grãos. Ele diz que as colheitadeiras em média aguentam colher de 800 a 900 sacas ao dia. ‘‘Quem colhe 1.200 está largando outras 200 no solo’’, garante. A saída é reduzir a velocidade da máquina, que deve ser de 4 a 6 quilômetros por hora. Existe também a velocidade ideal da barra de cortes, que deve estar de acordo com a capacidade da máquina e as condições da colheita.
O problema é que na hora da colheita, diz Zola, o produtor não encontra tempo para medir as perdas. ‘‘Quando não existe regulagem, ou a velocidade não é respeitada, não é preciso nem marcar o solo porque dá para ver os grãos perdidos aos montes’’, afirma. O ideal é o produtor fazer o gabarito, colocar depois da colheita e catar os grãos. No copinho – cedido pela Emater – a quantidade de soja, por exemplo, não deve passar de 2,5 sacas por alqueire. ‘‘Mais que isso alguma coisa está errada com a máquina ou com o operador’’, diz o agrônomo.
Quem perde 2,5 sacas por alqueire, na cotação da semana da soja na região de Maringá, está deixando em torno de R$50,00 de grãos no mesmo espaço. ‘‘O prejuízo é muito grande’’, lembra Zola. Ele diz que alguns produtores chegam a perder 6,1 quilos por hectare. ‘‘Lógico que para conseguir uma média baixa assim é preciso muita dedicação em todas as fases, e também depender da variedade e das condições de tempo. Mas é possível’’, garante.Quando se aproxima a colheita de soja e milho, produtores apressam-se em revisar e consertar suas máquinas
Marcos NegriniMecânico trabalha na manutenção da colhedora, preparando-se para a colheita de sojaLauri Izolan: seria melhor fazer uma revisão logo após a colheita.

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