Proteja-se
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 15 de maio de 2009
Fernanda Mazzini<br> Reportagem Local 
Acidentes com animais peçonhentos são mais comuns do que se imagina. O avanço das cidades sobre a zona rural não conseguiu acabar com este tipo de animal e, inclusive, criou novos abrigos a eles. O fato é que nos dias de hoje, além das temidas serpentes, abelhas e lagartas ainda provocam mortes no Paraná. Entre janeiro e o início deste mês quatro pessoas morreram em decorrência de acidentes com serpente (1) e abelhas (3). No ano passado foram registrados seis óbitos, dos quais dois provocados por serpentes, uma pela lagarta lonomia e outras três por abelhas (veja quadro).
Quase a totalidade dos acidentes provocados por peçonhentos acontecem na zona rural e durante a primavera e o verão. No entanto, atualmente a preocupação da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) está em um inseto que, neste ano, já provocou mais mortes do que as serpentes. A abelha é o animal (incluída no grupo dos peçonhentos) que mais mata; em seguida vem as serpentes. Todo agricultor sabe que se for picado por alguma cobra deve procurar o serviço de saúde, ao contrário das abelhas, que nem todos procuram, afirma Gisélia Rubio, bióloga e chefe da Divisão de Zoonoses e Intoxicações da Secretaria de Estado da Saúde. No caso dos insetos a preocupação é com pessoas alérgicas.
Além disso, o controle das abelhas também é difícil de ser feito e não há como evitar que os acidentes aconteçam. No geral, os animais estão espalhados por toda a natureza, mas alguns ocorrem com maior incidência em determinadas regiões do Estado. O escorpião amarelo, por exemplo, é muito encontrado no município de Bandeirantes (34 km a leste de Cornélio Procópio). Este tipo de animal se esconde embaixo de pedras e entulhos e se alimenta de baratas e insetos. Para reduzir o número de acidentes, as equipes de saúde desenvolvem no município um trabalho bastante detalhado, incluindo a conscientização dos moradores e a limpeza de quintais.
O controle do escorpião não deve ser feito com a utilização de venenos porque o animal como um aracnídeo tem quimioreceptores. Isso significa que ao perceber o veneno no ambiente ele se desloca para outro lugar. O trabalho é desenvolvido pela Sesa em Bandeirantes há dois anos e, inclusive, foi premiado pelo Ministério da Saúde, tornando o projeto uma referência nacional. Por isso, pela primeira vez no País foi feita capacitação de técnicos, com aulas práticas e teóricas, em Cornélio Procópio e Bandeirantes. Outro curso também está programado para o final deste ano, desta vez, de identificação de animais peçonhentos e uso de equipamentos de segurança.
Lonomia
As lagartas lonomia (também conhecida por taturana, oruga ou manduruvá) também preocupam. A sua manifestação é mais frequente na Região Centro-Sul do Estado. Este tipo de acidente é mais complicado porque as pessoas não valorizam. Mas a picada provoca hemorragia e pode até matar, salienta Gisélia. Em 20 anos foram registrados 457 acidentes no Estado. É importante que o animal seja capturado porque há milhares de espécies na natureza. A dor é imediata e a picada ainda pode causar reação inflamatória e provocar o surgimento de gânglios.
Já em Curitiba e região a atenção está voltada à aranha-marrom. Também é desenvolvido um trabalho extenso, com a distribuição de panfletos e folders e a conscientização em escolas e empresas. O Estado mantém quatro Centros de Informação sobre animais peçonhentos, localizados em Curitiba, Londrina, Maringá e Cascavel. O serviço pode ser utilizado tanto por pessoas que sofreram acidentes como pelos profissionais de saúde. O funcionamento é 24 horas, todos os dias e, aos leigos, são prestadas orientações sobre os primeiros socorros. Já os profissionais são orientados sobre a identificação dos animais e os procedimentos corretos que devem ser adotados.
O soro antipeçonhento só pode ser ministrado em hospitais porque há riscos de reação no paciente. É importante lembrar que a aplicação do soro é feita pelo Sistema Único de Saúde e, portanto, é gratuita.


