Proteger a Amazônia, função da Calha Norte
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 18 de maio de 2001
Jota Oliveira 
Em 1987 o Comitê Interdiscilinar de Estudos sobre o projeto Calha Norte já discutia o assunto, na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Depois dos anos 80, não se falou mais em Calha Norte, proposta para ocupação nacional daquela região e redução dos impactos ambientais que o vazio possibilitava. Naquela época o projeto Calha Norte repercutia em todo o País. A professora Maria Dorothea Post Darella, da UFSC, participou daquele Comitê e afirma que a última notícia que teve da iniciativa, do governo Federal, foi no final dos anos 80.
O projeto analisava a situação de indígenas do Norte do Brasil e suas relações ilegais com estrangeiros que vinham buscar riquezas brasileiras como minerais estratégicos. Estudava a exploração da ecologia, dos interesses nacionais e internacionais nas áreas de fronteira; geologia, segurança nacional, questões sócio-linguistas e a militarização da Amazônia.
Hoje estão naquela faixa, que vai do Amapá ao Acre, algumas forças militares as únicas presenças brasileiras por ali, fora os grupos indígenas e os grupos ilegais (garimpeiros, contrabandistas).
As discussões foram abandonadas e a retirada ilegal de riquezas, inclusive plantas e animais raros da floresta, continua. Agora o tema Calha Norte volta a ocupar a atenção do Congresso, onde a senadora Marluce Pinto (PMDB-RR) pediu a retomada do projeto, de forma a defender a soberania brasileira na Amazônia. Marluce diz que são crescentes as ameaças dos países ricos que consideram a região (Amazônia) patrimônio da Humanidade.
Há 50 aos, ou mais, já se falava que as nações ricas estavam de olho na Amazônia. Agora, diz a senadora, os EUA estão bem próximos disso, pois, cercando a Amazônia brasileira, instalaram uma base militar na República das Guianas, estão negociando outra base com a Venezuela e estariam caçando guerrilheiros e traficantes nas selvas colombianas. Isso significa que já existem efetivos estrangeiros na porção setentrional brasileira, diz a senadora. (Jornal do Senado).
O Brasil tem mais de 11 mil quilômetros de fronteiras desabitados e desguarnecidos, critica a senadora, que propõe verbas adequadas para o Exército brasileiro ocupar aquela faixa e dar cobertura a eventual colonização nacional. Atualmente, apenas R$3 milhões estão previstos, por ano, no Plano Plurianual, para o Calha Norte.
O sangramento da Amazônia brasileira tem aumentado, em vez de diminuir. Basta ver o que acontece no Congresso Nacional. O senador Bernardo Cabral (PFL-AM), por exemplo, comunicou a apreensão, pela Polícia Federal, de materiais estratégicos, como sete toneladas de ametista e 300 quilos de tantalita.
Os minérios estavam, ao serem apreendidos, com Adi Nagel Júnior. Ele se diz vice-presidente da ONG Cooperíndio, que atua na tribo dos tucanos. Adi Nagel pagava preços irrisórios pelos produtos: os 300 quilos de tantalita por R$4,5 mil, quando o preço de um quilo no mercado é de US$100. Por isso, Cabral sugere a inclusão das ONGs em Comissão Parlamentar de Inquérito instaurada no Senado. Diz o senador que o banco genético (o maior do mundo) da Amazônia está sendo dilapidado por ONGs que colhem amostras de plantas e animais e os levam para seus países.


