Com uma margem de lucro pequena para a atividade, o suinocultor não pode se dar ao luxo de ficar à mercê das condições climáticas e perder animais por excesso de calor nas instalações ou, agora, com a proximidade do inverno, muito frio.
A preocupação no inverno, segundo o pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, de Concórdia (SC), Carlos Cláudio Perdomo, deverá estar voltada para a proteção dos leitões pequenos, que estão mamando, os mais sensíveis à queda de temperatura. Mas, o produtor não deverá se descuidar do resto do rebanho.
Temperatura ótimaDe maneira geral, os animais devem ficar num ambiente que tenha no máximo oito graus centígrados de variação; onde a temperatura fique entre 24 e 32 graus centígrados. Normalmente, de acordo com o pesquisador, o produtor usa mal ou descuida das fontes de aquecimento: às vezes liga no momento errado ou deixa de ligar no momento crucial.
O pesquisador recomenda o uso do termostato, que dispensaria a atenção do produtor e também resultaria em economia de energia, já que o aparelho liga e desliga conforme a variação de temperatura. ‘‘Normalmente tem-se 50% de economia de energia e o produtor fica liberado para outras tarefas ao invés de ficar ‘vigiando’ a temperatura.’’
O pesquisador avisa que existem vários modelos de termostato no mercado e um dos mais acessíveis tem sido o termostato tubular, com capacidade de 2.500 watts. Os termostatos eletrônicos são mais caros.
Outra forma de proteger, é usar um jogo de cortinas na instalação, para não haver saída de calor de dentro do ambiente. ‘‘Uma sala bem isolada evita a saída de calor e protege os animais’’, afirma Perdomo. Com o frio, muitas vezes o animal deixa de mamar, reduzindo sua capacidade de sobrevivência e ficando mais sensível a doenças respiratórias.
Fesenvolvimento afetadoQuando é mais velho o leitão, como os da creche, comerá mais para ‘‘fugir’’ do frio. Mesmo comendo mais o desenvolvimento do animal não será normal, porque ele estará desviando suas energias para se proteger do frio. Neste caso, o aquecimento evitará que ele coma exageradamente, reduzindo custos com a alimentação.
Para cada grau centígrado a menos na temperatura ambiente o animal terá um reflexo. Ou deixa de comer e fica mais sensível a doenças e perde em desenvolvimento. Ou come demais e, mesmo assim, não cresce.
Baixas temperaturas com altas taxas de umidade, o que é comum no inverno, podem representar altos índices de mortalidade. Em muitos casos, em até 100% do rebanho.
Proteger sempre Do nascimento até a creche, especialmente na fase de lactação que é a mais crítica, é essencial proteger os animais do frio. Isso vale também para os animais mais velhos, embora eles sejam muito mais sensíveis ao calor em excesso do que ao frio.
Como no Brasil o clima é sempre mais quente do que frio, segundo o pesquisador, as construções das granjas devem estar sempre voltadas para proporcionar o conforto térmico dos animais em qualquer estação do ano.
‘‘Como não é possível ter duas instalações, o recomendado para as condições de clima do Brasil é preocupar-se com o conforto térmico. Na época quente ventilar mais o ambiente e, no inverno, ter disponibilidade de fazer a proteção contra o frio. O produtor deverá criar dispositivos para proteger os animais contra o frio, é mais barato e eficiente.’’
O maior erro nas construções das granjas, segundo o pesquisador da Embrapa, é ter os locais mal isolados. As construções devem evitar a variação de temperatura dentro do ambiente, influenciado pela temperatura do lado de fora. Para isso existem alternativas, segundo ele de baixo investimentos, como uso de forro de plástico de pvc, ‘‘muito usado na avicultura, que aumenta a resistência de variação de temperatura do local. As cortinas, no verão servirão para a ventilação e, no inverno para manter o calor dentro das instalações, auxiliadas pelo termostato.’’

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