Proteção em segundo plano
Nas cidades é comum edifícios públicos e privados contarem com sistemas completos de pára-raios. Por ser obrigatório por lei, a fiscalização é freqüente e as multas por infração podem somar até R$ 2 mil. No campo, a situação é diferente. Os produtores não têm a obrigação de instalar o sistema por conta própria e deixam a segurança dos equipamentos em segundo plano.
Só este ano a pousada Caminho das Águas Mansas, em São Jerônimo da Serra (78 km ao sul de Cornélio Procópio) já sofreu cinco descargas elétricas que comprometeram telefones, o motor do poço artesiano e o portão eletrônico. O proprietário Vanoly Acosta Fernandes pretende investir o que for necessário para evitar futuras perdas. Já gastei mais de R$ 5 mil em consertos, calculou.
De acordo com Luiz Berti, especialista em instalação, manutenção e vistoria de pára-raios em Londrina, um sistema completo com captor, mastro, abraçadeira, cabos de descida, conectores e hastes para o aterramento do pára-raio pode custar até R$ 1,8 mil. Mas o preço não é um fator de impedimento para a instalação do pára-raio. Os produtores usam a desculpa de que a chuva não incomoda mas, na verdade, eles não se sentem obrigados a comprar o sistema, declarou.
Uma das técnicas sugeridas por Berti para diminuir o preço de custo do equipamento é criar pequenos espaços na cerca elétrica que circunda a propriedade. A idéia é interromper a passagem de corrente elétrica a cada 50 metros de cerca para reduzir o número de pára-raios por metro quadrado, explicou.
O meteorologista Marco Antonio Rodrigues Jusevicius explica que em caso de perdas pela ação de raios, os produtores devem apresentar um laudo meteorológico que comprove às seguradoras a incidência da descarga elétrica na data do acidente. Em muitos casos, a falta de manutenção é a causa do acidente e não o raio em si e os agricultores se aproveitam disso para minimizar os prejuízos, concluiu. (M.G.)





