Falar nos riscos e perdas provocados pela geada pode parecer ‘‘chover no molhado’’. As medidas para proteção dos cafezais novos, como amontoa e enterrio, também são bastante conhecidas pelos produtores. Mas porque a grande maioria dos 16 mil cafeicultores existentes atualmente no Paraná não adotam essas práticas? O pesquisador, Armando Androciolli, do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), premiado nacionalmente pelos seus trabalhos na área de café garante que estas práticas poderiam evitar danos às plantas novas que podem sofrer com as quedas de temperaturas, mesmo que não ocorra geada.
O chegamento de terra protege contra a geada de canela, que atinge o tronco da plantaAproximadamente 14 a 15 mil hectares de lavouras de café no Paraná estão com idade inferior a dois anos, fase em que são mais suscetíveis ao frio. O custo instalação de um hectare de café adensado é estimado entre R$ 3 mil a R$3,5 mil. ‘‘O produtor não deve correr o risco de perder este investimento, deixando de adotar práticas simples e baratas’’, destaca Androciolli.
Recomenda-se o chegamento de terra em plantas com até um ano e quatro meses, dependendo do portePrevençãoO enterrio das mudas deve ser feito quando a planta tiver até seis meses de idade e puder ter o caule facilmente dobrado sem prejudicar sua estrutura. ‘‘A muda pode ficar enterrada por um período de até 10 dias, protegendo totalmente a planta. Chega a ser feito duas ou três vezes durante o inverno’’, explica Androciolli.
O tremoço é uma das espécies de forrageiras que está sendo testada para proteção durante o invernoÉ necessário um trabalhador para fazer o enterrio de duas mil mudas por dia. Para um hectare seriam necessárias cinco pessoas. ‘‘O custo deste trabalho vale a pena pelo seu resultado e o produtor deve estar acompanhando de perto as análises de previsões do tempo’’.
Nas plantas maiores o produtor deve fazer o chegamento da terra, para proteção do caule até o primeiro galho. Dependendo do porte da planta, esta prática pode ser feita até a idade de um ano e dois meses ou um ano e quatro meses. A geada de canela atinge o tronco descoberto do cafeeiro, porque o ar frio atinge a parte mais baixa da árvore.
O pesquisador Armando Androciolli e a miniestação utilizada no monitoramento do ambiente das lavourasNo plantio convencional ou no adensado o café sofre com uma geada forte, mas se ocorrer apenas uma queda de temperatura, sem gear, o adensado leva vantagem. O topo da planta queima mais, o que facilita sua recuperação, possibilitando produzir .
AlternativasOs pesquisadores da área de café do Iapar estudam alternativas para proteção de cafeeiros. O cultivo consorciado de adubação verde como o guandu ou tremoço está sendo analisado. A experiência vem sendo realizada em áreas experimentais em Abatiá e Londrina.
Dorico da SilvaO enterrio garante proteção para as pequenas mudas, mas exige cuidados na retirada da terraSão plantadas duas fileiras de tremoço, deixando a muda de café plantada no meio. Neste inverno será medida a temperatura próxima do cafeeiro, para avaliar a eficiência da proteção. ‘‘O problema é na hora da retirada da forrageira, que deve ser cuidadosa para não atingir a muda. Esta alternativa tem duas funções: protege o café, e depois de cortada serve de adubação para o solo’’, explica Androciolli. Estão sendo utilizadas também outras espécies como a mamona, a aveia e o nabo forrageiro.
Para o cafezal já formado, com idade superior a dois anos, a proteção pode ser feita com arborização e quebra-ventos. O plantio de árvores no cafezal também está sendo avaliado pelos técnicos. ‘‘Dependendo da região, deve-se plantar aproximadamente 80 árvores por hectare. A mais usada é a grevilha, distribuida ao acaso, com distância de 15 e 17 metros’’.
Em Londrina e Terra Boa foram feitos experimentos com bracatinga e se verificou até aumento de produtividade, comenta Androciolli. O pesquisador recomenda que o produtor faça uma boa condução da grevilha plantada, pensando no aproveitamento da madeira depois de uns 16 anos, quando o agricultor for fazer a renovação da lavoura de café. ‘‘A renda da madeira pode ajudar nos custos de instalação da nova lavoura’’, completa.

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