Protagonismo que cresce e faz a diferença
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sábado, 03 de fevereiro de 2018
Victor Lopes<br>Reportagem Local 

Não é de hoje que as mulheres que residem em propriedades rurais deixaram de viver na sombra de seus maridos. A capacitação técnica e a proatividade delas no agronegócio as têm tornado cada vez mais protagonistas nos resultados nos últimos anos, com foco imenso na gestão e transformando a rentabilidade das áreas, independentemente do tamanho.
Essa evolução pode ser vista com clareza numa pesquisa divulgada recentemente pela ABMRA (Associação Brasileira de Marketing Rural e Agronegócio), que antecede o Censo Agropecuário, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), e deve ficar pronto este ano. O levantamento foi feito ao longo de 2017, com 2.110 agricultores distribuídos por 15 estados do País. No Paraná, foram 413 agricultores e pecuaristas entrevistados das mais diferentes especialidades - de grãos, passando por olerícolas, até a pecuária de corte e leite.
O último levantamento solicitado pela ABMRA havia acontecido em 2013 e a presença da mulher no gerenciamento das áreas evoluiu. Se há cinco anos, 10% propriedades apresentavam mulheres no gerenciamento do negócio, agora o salto foi para 31%, ou seja, praticamente uma em cada três propriedades possuem produtoras à frente do trabalho, sozinhas e principalmente com os maridos.
Outro dado interessantíssimo é que, dessa fatia, 81% dos entrevistados considera a participação delas vital (19%) ou muito importante (62%). Mais do que isso, em pequenas propriedades, em 51% dos casos elas são consideradas tão importantes quanto a presença dos homens, quando questionado o dono da propriedade. O número cai levemente para 47% em médias propriedades e 46% em grandes propriedades.
O diretor de pesquisas da ABMRA, Ricardo Nicodemos, analisa a presença cada vez mais ativa das mulheres no mercado do agronegócio. "O grande dado está, sem dúvida, no reconhecimento do trabalho e do esforço da mulher no agro. O trabalho que elas desenvolvem no gerenciamento ou compartilhamento de decisões dentro da propriedade é uma realidade", salienta ele.
Outro ponto importante citado por Nicodemos está na queda da média de idade dos produtores, de 48 anos em 2013 para 46,5 anos em 2017. O que mais chama a atenção é que na idade entre 26 a 35 anos o salto foi de 15% para 21%, incluindo mulheres participando desse processo. "Estamos vendo a migração, a sucessão familiar de uma forma bem clara, e isso inclui as mulheres no negócio", salienta.
Mais uma questão facilitadora que puxa protagonismo das mulheres dentro das propriedades está ligada a utilização de tecnologias. A uso da internet nas propriedades saltou de 39% para 42%, além do incremento da cotação de insumos de forma remota, pesquisa por tecnologias e outras facilidades. "Isso permite a presença da mulher em atividades bastante estratégicas, com menos esforço comparado a antigamente. Hoje é possível por exemplo fazer o gerenciamento (de diversas atividades) de forma remota, isso dá uma grande autonomia para as mulheres."
A próxima pesquisa da ABMRA deve acontecer em 2020 e com a expectativa de que esses números em relação à mulher incrementem ainda mais. "Hoje a representatividade da mulher no agronegócio corresponde a qualquer outra atividade econômica do País, como um dos pilares da economia. A presença delas só tende a aumentar, haja vista inclusive a presença delas nas universidades em cursos voltados para o agronegócio."


