Prós e contras das estufas
''A produção em estufas dá mais segurança ao produtor e resulta em tomates com mais qualidade.'' A afirmação é do engenheiro agrônomo Paulo César Hidalgo, coordenador do projeto Hortinorte, da Emater. O atual período de condições climáticas instáveis contribui, segundo ele, para o aumento da produção de tomates em ambiente protegido. Apesar dessas vantagens, a produção continuada abre brechas para problemas fitossanitários.
A área plantada no Estado é de aproximadamente 25 milhões de plantas. Em estufas o número é de 3 milhões de tomateiros no norte do Paraná. O aumento no número de estufas, para Hidalgo, não oferece risco de superprodução. O cultivo em ambiente protegido tem um custo mais elevado, por isso, com uma estabilização do clima as áreas de campo aberto torna-se mais competitiva, podendo ter maior volume de oferta e afetar os preços.
A preocupação maior, como destaca, se concentra na ocorrência de insetos e doenças e degradação de solos e água. ''Como não ocorre um período de vazio sanitário, a produção constante pode favorecer o surgimento de pragas e doenças mais resistentes e de difícil controle.'' Entre elas Hidalgo cita fusário, verticílio, murchadeira, broca pequena, traça e mosca branca. O agrônomo vê dificuldades na instalação de um período sem a cultura, por isso destaca a importância de se reforçar outras ações preventivas, como o manejo de pragas, plantio direto de hortaliças, entre outras.
Sobre a fama do tomate no acúmulo de resíduos químicos, Hidalgo destaca que há uma evolução na linha de defensivos disponíveis no mercado, com produtos de menor carência e de menor risco tanto ao aplicador como ao meio ambiente. ''A tendência é a da oferta de hortaliças com mais segurança alimentar. Mas ainda temos muito o que fazer na conscientização do produtor, pois a decisão final é dele e do consumidor.''
O projeto Hortinorte, informa o coordenador, objetiva a produção de hortaliças mais limpas com menor impacto ambiental e social. Nesse processo de conscientização, o projeto tem trabalhado, em parceria com a Secretaria da Saúde, para reduzir também os impacatos na saúde do aplicador.
Em Faxinal, a unidade da Seab iniciou na última safra uma fiscalização da utilização de defensivos nas estufas de tomate. De acordo com o agrônomo Carlos Antônio Portela, foram colhidas três amostras sem a presença de resíduos químicos. O resultado positivo, segundo ele, não pode ser apresentado como uma garantia ao consumidor. ''Foi o começo de um trabalho, com poucas amostras. Nesta safra, teremos coletas mais expressivas que nos permitirá quantificar melhor a produção local.''(C.G.)





