Propriedades paranaenses já estão preparadas
A fazenda Ouro Branco, localizada no município de Iguaraçu, é um exemplo de que é possível conciliar preservação ambiental com produção de alimentos. Dos 900 hectares de área, 50 são de áreas protegidas. A maior parte cerca o Rio Pirapó, que corta toda a extensão da propriedade. Já cadastrada no Sistema de Manutenção, Recuperação e Proteção da Reserva Florestal Legal e Áreas de Preservação Permanentes (Sisleg), segundo o administrador Laércio de Oliveira Dias, a fazenda está preparada para implantar o Cadastro Ambiental Rural (CAR).
"O CAR vai ser bom porque vai mostrar o que nós já fizemos", comemora. Dias explica que a propriedade destina 50 metros de mata ciliar preservada ao longo dos quatro quilômetros de rio, 20 metros a mais do que foi estabelecido pelo novo Código Florestal. Dias afirma que foi difícil fazer todo o plano de manejo para recuperar e cercar a área. "Alguns trechos tinham mata, mas em muitos tivemos que recompor", salienta.
Voltada para a produção de grãos, o administrador conta que com a ação, a fazenda perdeu em torno de 5% da área produtiva, mas o sacrifício, segundo ele, valeu a pena. Dias reclama que, com todos os programas criados para fomentar a preservação ambiental, ainda faltam incentivos, inclusive financeiros, para que os produtores adotem essas iniciativas. "Todo mundo deve fazer, não só um produtor", completa Oliveira, destacando a necessidade de envolver a comunidade urbana.
Contudo, Dias só viu benefícios com a reestruturação ambiental da fazenda. Um dos benefícios foi o aumento da vazão das nascentes e também redução no assoreamento do rio. Outro benefício foi a volta de pássaros na região que, segundo ele, ajudam a controlar os insetos que invadem a lavoura. Por causa desses exemplos, ele enfatiza que não irá ter problema com a implantação do CAR. O trabalho de preservação da fazenda Ouro Branco começou há sete anos pela iniciativa do proprietário Sebastião Pitarelli, associado da Cooperativa Cocamar. (R.M.)





