Uma viagem de trem ou ônibus por alguns países europeus, a exemplo de Itália ou França, dá a dimensão exata da estrutura fundiária do velho continente: pequenas propriedades rurais com tamanho não superior a 10 alqueires. Para quem chega de avião, uma noção da forma de divisão de lavouras e terrenos: todos divididos de forma harmônica e organizada.
Apesar da pequena dimensão dos imóveis rurais, seus proprietários são agricultores e pecuaristas de sucesso, assegura o Secretário da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, Antônio Leonel Poloni, que morou durante seis meses em Paris, capital da França.
Vez por outra milhares de ovelhas invadem Champs de Mars, local onde está a Torre Eiffel, o monumento mais visitado em todo o mundo. Criadores com prejuízos no bolso? Nada disso. Brigam apenas pela manutenção da política de subsídios. Vivem muito bem e seus empregados, inclusive aqueles de baixa qualificação profissional, dificilmente ganham menos de 900 dólares mensais. Não existem diferenças absurdas em itens essenciais entre Itália e Brasil. Ao contrário. Enquanto os preços dos alimentos ao consumidor praticamente empatam, as roupas são mais baratas, o transporte coletivo é mais barato. O mesmo não acontece com moradia.
O selo que garante a prosperidade dos agricultores e criadores europeus tem um nome: qualidade. Sem contar que estes são reconhecidos pela opinião pública porque produzem o bem mais essencial na vida de qualquer pessoa: comida. Nem precisa lembrar que os países europeus, após enfrentarem as agruras de duas guerras mundiais, sabem o que é literalmente passar fome. O ditado italiano ‘‘coma que te faz bem’’, muito utilizado na Segunda Guerra Mundial, quando famílias tinham apenas um velho pedaço de pão para dividir entre seus membros, retrata como a agricultura e pecuária são tratadas aqui na Europa: como questão de segurança nacional.(L. C. R.)

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