Propriedade foge do perfil, diz órgão
Procurado para falar sobre a falta de assessoria reclamada pelo produtor Norbert Gamerschlag, o agrônomo Silezio Abel Demuner, especialista em café do Escritório Regional da Emater em Cornélio Procópio, disse que visitava apenas as lavouras de café convencional da propriedade, porque esse é o seu foco de trabalho na empresa. O responsável por café orgânico nos 23 municípios abrangidos pela regional de Cornélio é Paulo Sérgio Barbosa, que tem desenvolvido programas junto aos produtores de Uraí.
Segundo ele, Norbert Gamerschlag teve problemas com assessoramento por dois motivos: primeiro pelo fato de sua propriedade ser uma fazenda, o que foge do perfil de trabalho da Emater, que prioriza mini e pequenos produtores; em segundo lugar, porque o técnico de Abatiá que o acompanhava saiu da Emater num PDV (Plano de Demissão Voluntária) recente e, no momento, não há um agrônomo dando sequência ao trabalho.
Paulo Barbosa acredita que Norbert, além de problemas com adubação, tenha tido dificuldade na comercialização de seu café orgânico, por ter optado pela venda direta a empresas sediadas na Europa, experiência que não deu certo. Como são poucos os compradores no Brasil (somente três empresas), Barbosa acredita que o melhor seja os produtores orgânicos se unirem para comercializar juntos a produção, modelo que será adotado por um grupo de mini-produtores de Lerroville, distrito a 50 km de Londrina.
O técnico da Emater relata que não há uma uniformidade quanto ao cultivo de café orgânico, porque tudo ainda está em fase experimental. ''Por experiências é que fomos chegando a algumas conclusões. No caso de Uraí, que tem o grupo mais sólido de produtores da região Norte, também tivemos muitos erros, mas eles não desistiram'', afirma Paulo Barbosa. Quem motivou os orgânicos em Uraí foi Jasson Fernandes de Oliveira. Ele iniciou com café em 1996 e sempre utilizou o dobro dos insumos recomendados. ''Isso deu ao café dele uma aparência muito bonita que enchia os olhos dos vizinhos. Daí outros passaram a plantar também'', lembra Barbosa. Hoje, Jasson não tem mais o seu cafezal, que foi castigado pela geada por ficar em uma área de baixada, mas continua com outras lavouras orgânicas.
Já o especilista em café do Iapar, Carlos Armênio Khatounian, diz que o instituto também não dispõe de muitos elementos para auxiliar o produtor de Santa Mariana. ''A iniciativa do Norbert foi pioneira e corajosa, até por introduzir árvores nativas no meio da lavoura orgânica, mas ainda não temos referenciais técnicos para orientá-lo, exceto em relação ao sombreamento do cafezal, área em que evoluímos na pesquisa a partir da década de 80'', relata. Segundo ele, as pesquisas com o café orgânico caminham devagar e ainda não há institutições especializadas, nem uma tecnologia já sistematizada sobre o assunto. (J.K.)





