Propriedade é mantida apenas para o lazer
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sexta-feira, 30 de março de 2007
Fábio Cavazotti<br> Reportagem Local 
Crise do agrobusiness? Problemas com câmbio? Transgenia? Esse vocabulário tão comum entre os agricultores brasileiros, é mantido propositalmente longe do Recanto Matsuda - pequena propriedade localizada na divisa dos municípios de Jaguapitã e Mirasselva, administrada por três irmãos sexagenários, Minoru, João e Gilberto Matsuda.
As expressões mais ouvidas por ali são: espécies raras, suco de fruta natural e qualidade de vida. O sítio, de 10 alqueires, herdado dos pais, passou por um processo de reflorestamento a partir de 2000 e se transformou num belo exemplo de preservação ambiental - além de um reduto prá lá de aprazível. Ao redor das duas casas, onde moram os irmãos solteiros, João e Gilberto, o cenário é acolhedor: ao invés do tradicional barulho de tratores e maquinários, ouvem-se apenas pássaros, o vento e a água do pequeno rio Uruguaiana.
A idéia de recompor a mata ciliar nasceu após Minoru - o irmão mais velho - retornar do Japão, onde trabalhou durante 10 anos. Em dezembro de 2000, o trabalho iniciado dois anos antes foi registrado pela FOLHA RURAL. ''No Japão, eu pude perceber a importância do verde. Lá eles preservam e valorizam cada pedacinho de terra, cada planta'', contou na época. A atual propriedade dos Matsuda fez parte, nas décadas de 50 e 60, da chamada Colônia Oriente, que atraiu imigrantes japoneses para o norte do Paraná interessados em se tornar cafeicultores.
Seis anos depois, em meio à mata fechada, o irmão do meio, João, conta à reportagem que o plantio das árvores ''deu muito trabalho''.''Isso aqui foi tudo plantado, tudo. E nós mesmos que fizemos. Não compensa contratar funcionário porque a propriedade não gera renda''. Antigamente, de acordo com ele, quase toda a área era de pastagem.
Hoje, a lista de espécies plantadas, não catalogadas oficialmente, perde-se entre os troncos e galhos da floresta - e estende-se com o apoio das palavras: dá um trabalho 'danado' ao repórter para acompanhar a citação pelos Matsuda. Coco, babaçu, palmito, pupunha, guaivira, açaí, jatobá, peroba, guarita, pau d'alho, pau marfim, pau brasil, caviúna, pindaíva, gabiroba nativa, mangostin, cupuaçu, munguba, mussaenda, imburana, tamarindo, coração de negro, graviola, araçá boi, entre outras. Com o passar do tempo, a tendência é a floresta sempre melhorar, acreditam os agricultores citando outro aprendizado trazido da terra do sol nascente.
''No Japão, se diz que árvore, quanto mais velha melhor. Se te oferecerem uma cerejeira de 20 anos para observar, e outra de 200 anos, qual você vai preferir?'', conta seu Gilberto - para indicar que qualquer pessoa normal vai preferir a espécime mais antiga.
O agricultor conta que nos dias mais quentes, a nova floresta mostra mais uma de suas qualidades: ''Aí fora é aquele calor, mas ficar aqui um frescor.''.''Para quem gosta de sossego, não tem melhor'', emenda.
Com o tempo todo para ''mexer nas plantas'', os dois outros irmãos fazem planos para o futuro, mas nada que ponha em risco o sossego do sítio. ''Estamos pensando em plantar eucaliptos numa parte que ainda está limpa. Demora cinco anos para crescer. Vamos fazer aos poucos para não precisar de financiamento'', conta o caçula João


