Propostas para reanimar algodão
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sexta-feira, 30 de maio de 1997
Cristina Côrtes 
Dorico da SilvaVoltaA cultura do algodão pode voltar a ser um alternativa para pequenos produtoresUm conjunto de propostas para recuperar a cotonicultura no Brasil está sendo avaliada pelo Ministério da Agricultura. As sugestões foram encaminhadas no último dia 20 de maio pelo grupo que integra o Fórum Nacional de Agricultura. O documento aponta o prazo de pagamento do produto importado como um dos principais fatores para a crise na cultura.
As mudanças no ICMS e as medidas recentemente adotadas com relação a estes prazos eliminaram parte importante dos problemas. Mas agora, é fundamental a adoção de medidas que ofereçam um quadro de estabilidade e segurança para os investimentos que precisam ser feitos de modo a acelerar a retomada da produção.
As entidades que participaram deste grupo de trabalho esperam que as medidas sejam implementadas até 31 de julho deste ano, para se alcançar a meta de 500 mil toneladas de pluma na próxima safra, o que reduzirá o gasto com importações de um bilhão de dólares para 600 milhões de dólares.
PropostasA Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) foi uma das entidades que participaram do grupo de trabalho. Segundo Flávio Turra, do Departamento Econômico da Ocepar, as principais propostas apresentadas foram a respeito de comercialização/importação, desburocratização do Pronaf, mecanização da colheita e pagamento do Prêmio de Escoamento da Produção (PEP).
O secretario de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e do Abastecimento, Guilherme Dias, informou que a garantia de comercialização do produto, através de mecanismos oficiais como o PEP, já poderá ser implantada na próxima safra. Como no caso do trigo, o PEP garante o preço mínimo do algodão: se nos leilões o produto alcançar preços abaixo do mínimo, o Governo paga a diferença.
Flávio Turra diz que a medida é positiva, porque o produtor tem uma garantia individual, mas não é suficiente para estimular o plantio, pois o preço mínimo (R$ 6,50 a arroba na safra atual) está bem abaixo do preço de mercado (R$ 8,80/arroba).
Com relação às importações, o documento pede o ajuste tarifário para neutralizar as vantagens dos países do Mercosul, especialmente a Argentina. Por exemplo, é preciso estabelecer um imposto de importação no valor do subsídio aplicado no país de origem.
Aumento de áreaPara aumentar a área plantada no Estado, há necessidade de crédito. O custo de implantação de uma lavoura de algodão é de R$ 650,00 a R$ 700,00 por hectare, e o produtor precisa de financiamento, diz Turra.
Segundo informação de Guilherme Dias, hoje não existe problema de falta de crédito, já que o sistema financeiro tem R$ 1,5 bilhão disponíveis, mas os bancos não conseguem identificar em que setores da agricultura esses recursos podem ser aplicados, pondera.
Na avaliação de Turra, para a próxima safra existem sementes disponíveis para o plantio de até 150 mil hectares (ha), mas dificilmente haverá esta recuperação de área no Estado. No ano passado foram cultivados 59 mil ha.
A cotonicultura mecanizada e conduzida empresarialmente vem se destacando nos últimos anos como uma das principais alternativas de aumento da produção interna. Esta prática já é realidade na região Centro-Oeste e em algumas regiões do Paraná e São Paulo, mas exige investimentos elevados.Há necessidade de mão-de-obra especializada, máquinas adequadas e variedades próprias para a colheita mecânica, argumenta.
O documento analisa também que, apesar das condições mais favoráveis para a expansão da cotonicultura empresarial, o que predomina em muitas regiões do País é a produção em pequenas propriedades com tecnologia tradicional praticada por mini e pequenos produtores, em solos declivosos e de difícil mecanização. Estes produtores são hoje os mais seriamente atingidos pela crise da cultura, e em consequência, os que mais têm abandonado o cultivo, destaca o documento.
Indústria x produtorSegundo Flávio Turra, pela primeira vez representantes da indústria estão apoiando as medidas que beneficiam os produtores.A indústria está percebendo que os países que não têm elo com a cadeia produtiva ficam expostos às oscilações das políticas externas e à mercê do bom humor dos exportadores, diz Turra.
Sem produção de algodão no Brasil, a indústria corre o risco de também desaparecer. Para evitar isto, foi criado recentemente pelas indústrias um fundo para financiamento da pesquisa. Para cada fardo importado a empresa contribui com o depósito de R$ 0,50 neste fundo.


