Imagem ilustrativa da imagem Proposta independe de mercado de exportação
| Foto: Saulo Ohara
A valorização da agricultura de pequena escala tem uma tendência a práticas mais sustentáveis



O incentivo à agricultura familiar diversificada não interfere no mercado de exportações de cada país. O professor Estevan Coca, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), afirma que tanto Canadá quanto Brasil são fortes nos embarques de alimentos, mas que necessitam de uma política de consumo de produtos locais para melhorar a alimentação. "O Brasil é um dos maiores exportadores de bens primários do mundo e o Canadá, também. Atrelado a isso, apenas 48% do que eles consomem é de origem local", diz.
Ele conta que a percepção no país da América do Norte é de que é necessário criar um sistema de abastecimento local, que dá maior qualidade ao alimento produzido e tem implicações benéficas ao meio ambiente. "Os benefícios que observei são o econômico, porque se consome alimento produzido localmente e se cria um círculo virtuoso dentro da economia local, e a questão ambiental, que é forte no Canadá", afirma.
Isso porque o transporte de alimentos geralmente é feito por meio de caminhões, que têm maior emissão de gases nocivos, explica. "A valorização da agricultura de pequena escala tem uma tendência a práticas mais sustentáveis. E, como eles gastam apenas 9% da renda mensal com alimentos enquanto brasileiro gasta 20%, os canadenses podem comprar coisas melhores", diz Coca. Ele completa que, assim como no Brasil, há defasagem de jovens no campo e a sucessão melhorou com a prática.

ORIGEM
A soberania alimentar é uma proposta coletiva defendida por diversos movimentos do campo e da cidade desde 1996, por mais de 170 membros que compõem La Via Campesina, que tem proposto a soberania alimentar em todos os continentes. Coca afirma que a iniciativa de favorecer a produção de agricultores familiares contribuiu para tirar o Brasil do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, na sigla em inglês), ao lado de outras políticas, como o Bolsa Família, pela primeira vez em 2014. Isso porque quatro em cada três pessoas que passam fome estão no campo. (F.G.)

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