O controle rigoroso da produção, seja ela pecuária ou agrícola, há tempos vem se tornando um importante ‘ingrediente’ na eficiência produtiva. Além de favorecer a rentabilidade, dá mais garantias ao consumidor no quesito segurança alimentar. Com isso, abre portas para mercados mais exigentes, como o europeu.
  Foram argumentos como esses que levaram o produtor Antonio Carlos Prata Garcia Lopes, ou Tony, como prefere ser chamado, a buscar a certificação Eurepgap para a sua propriedade que é voltada à produção de bovinos de corte. A Fazenda Água Clara, no município de Santo Inácio, foi a primeira propriedade no Estado a ser certificada dentro do protocolo Eurepgap IFA – Segurança Integrada de Fazenda/Bovinos. O documento foi entregue no dia 13 de novembro e o produtor já está recebendo propostas de frigoríficos interessados na carne produzida oferecendo bônus de 3%.
  O produtor havia iniciado os procedimentos de adequação da fazenda no início de 2005. Pouco tempo depois o processo de certificação no País foi interrompido por divergências em pontos referentes a alimentação animal. A situação se normalizou em outubro, depois que a organização, que representa os 70 maiores grupos varejistas da União Européia, aprovou a ração animal produzida no Brasil.
  O Eurepgap, como explica Tony, surgiu na Alemanha por iniciativa de representantes de grandes redes de supermercados preocupados em garantir ao consumidor a oferta de alimentos seguros. ‘‘O Eurepgap criou normas de boas práticas agrícolas e ambientais que determinam mudanças não só no sistema criatório mas também na administração, na vida da propriedade e de todos que aqui vivem. É um eficiente sistema de gestão’’, explica.
  Basta uma rápida passada de olhos pela propriedade para se notar os cuidados com a qualidade de vida. Tudo muito organizado e devidamente identificado, além de placas que orientam cuidados com o local e equipamentos, ou mesmo determinam o acesso de pessoas e veículos.
  Na propriedade adquirida há cerca de quatro anos, Tony aproveitou o sistema de alojamento e tratamento de animais, deixados pelo antigo proprietário que se dedicava à produção de leite. Antes disso, ele promoveu uma reforma geral nas instalações. Cercas foram reformadas, posições das porteiras trocadas. ‘‘Nada aqui dentro pode oferecer risco aos animais ou aos funcionários’’, salienta. Tony chama a atenção até mesmo para a textura da madeira e dos cantos da cerca, ‘‘o couro do animal também precisa ser preservado’’.
  As regras do sistema de certificação, continua o produtor, determinam uma programação de rotinas diárias da fazenda e da saúde animal. Entre elas estão a vistoria do gado, cercas, bebedouro, calendário de vacinas, alojamento de animais doentes, destinação do lixo, alojamento de equipamentos e medicamentos, controle de insetos, aves e roedores, e muitas outras. Para não ser esquecida a listagem fica fixada em diversos locais da propriedade.

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