E de outras 100 mil famílias no Estado do Paraná, que se organizaram e estão utilizando as diversas linhas de crédito do Programa
O agricultor Haroldo Mendes criou seus sete filhos sempre trabalhando no campo. Cuidava do gado e arrendava terras no mesmo sítio, no distrito de Guaravera, município de Londrina. Em mais de 40 anos morando na mesma casa, nunca lhe passou pela cabeça que um dia pudesse ser dono de uma parte daquela propriedade. O dono foi vendendo as terras e só ficou uma área de 15 hectares que eram tocados pelo seo Haroldo e quatro filhos maiores.
Com ajuda do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), três anos atrás, ele melhorou as condições de produção de olerícolas e, ao mesmo tempo, passou a dedicar-se mais ao pepino e pimentões em estufas. Como financiou o custeio da produção, conseguiu economias para comprar os 15 ha.
Mas precisava de um caminhão para entregar o produto diretamente no Ceasa e, assim, evitar intermediários. O Pronaf, agora por meio da linha de investimento, financiou o caminhão F.4000, no valor de R$ 20.000,00, a juros de 4% ao ano e quatro anos para amortizar, com um de carência. A renda do pepino, agora melhor negociado diretamente na Ceasa, paga o custeio e o investimento, que foi rateado entre os irmãos, com o sistema de aval solidário.
Mas a produção está sendo ampliada e Haroldo Mendes e os filhos Claudir, Dirceu, Luiz e Claudinei, agora precisam de um caminhão maior.
''Para nós o Pronaf representa muito. Indiretamente ajudou na compra da terra. Depois, o caminhão, que foi tudo, porque sem o caminhão fica difícil comercializar, tem que cair na mão dos intermediários'', afirma. ''A gente só tinha o trator'', explica.
Neste período, a família de Haroldo Mendes também trocou a casa velha de madeira, onde morou por quatro décadas, por uma casa nova, de alvenaria. Outro benefício foi o da irrigação, que garante a safra.
Este é o terceiro ano que Haroldo e os filhos são financiados pelo Pronaf. Nos primeiros dois anos eles tomaram R$ 2.000,00 cada um e pagaram em dia, com direito a rebate de R$ 200,00. O financiamento ficou em R$ 1.800,00 para cada contrato. Atualmente o volume total financiado entre custeio e investimentos é de R$ 38.000,00.
A Emater, que acompanhou todas as etapas da evolução dos Mendes, agora está orientando na comercialização e na busca da qualidade. A olericultura é mais trabalhosa e exige mais conhecimento, mas tem giro rápido, explica o técnico Paulo Roberto Mrtvi, que também dá orientação a um outro projeto interessante, o da Fazenda Akolá. Ele tem passado a idéia de que o produtor tem que ser um profissional e um empresário ao mesmo tempo. E tem que buscar qualidade e redução de custos. ''O mercado está cada vez mais competitivo e o consumidor, cada vez mais exigente'', lembra o extensionista.

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