Jota Oliveira
De Londrina
Reunidos de 8 a 12 deste mês em Salvador, no 8º Encontro Nacional do Café (Encafé), representantes de todo o agronegócio do café brasileiro decidiram investir mais em marketing, nos mercados interno e externo, e oferecer produtos diferenciados, para ampliar o consumo. A Colômbia, principal concorrente do Brasil no setor, investe de UR$20 a US$50 milhões por ano, em marketing, e tem um retorno de UR$200 a UR$250 milhões. O Brasil pretende investir agora R$9 milhões, dos quais R$1 milhão em pesquisa nos Estados Unidos (Universidade de Vanderbilt)para comprovar que café não faz mal à saúde.
‘‘Marketing é o que faz o consumidor tirar o café da prateleira’’, disse no encontro o especialista Carlos Brando, consultor da Comissão de Marketing criada pelo Fundo de Defesa do Café (Funcafé) e diretor da P&A Marketing Internacional. O Funcafé repassou R$5 milhões à Comissão de Marketing, dos quais R$2 milhões já foram liberados. Essa comissão e a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) promoverão o produto no mercado interno; a Apex – Agência de Promoção de Exportações, vinculada ao Sebrae, destinou R$4 milhões e fará a promoção no Exterior.
O cafeicultor Wilson Baggio, presidente do Sindicato Rural de Cornélio Procópio, diretor de Café da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) e representante da lavoura no Conselho Deliberativo da Política Cafeeira (CDPC), participou daquele encontro. Ele disse à Folha Rural que três palestras deixaram clara a importância da promoção do produto: ‘‘Como Vender mais Café Agregando Valor – o Marketing dos Cafés no Brasil’’, por Carlos Brando; ‘‘Marketing para Cafés Especiais’’, pelo americano Danny O’Neill; e ‘‘Café e Saúde’’, pelo médico brasileiro Darcy Roberto Andrade Lima, da Faculdade de Medicina de Porto Alegre, que está trabalhando na Universidade de Vanderbilt, Estados Unidos, para os estudos sobre café e saúde.
Café e saúdeSegundo estudos feitos pelo médico Darcy Roberto Andrade Lima, mestre em Clínica Médica e Doutor em Medicina, pós-doutorado, e professor de Farmacologia e História da Medicina na Universidade Federal do Rio de janeiro, e professor-adjunto do Centro Médico da Universidade de Vanderbilt, o café estimula a atenção e a concentração; o consumo diário de café amplia e melhora a atividade intelectual; ajuda no aprendizado (estudos indicam que 4 xícaras de café ao dia aumentam em 10% o rendimento escolar, previne a depressão infantil e juvenil; reduz nos jovens a dependência química. Enfim, segundo ele, é importante para a prevenção e conservação da saúde mental dos jovens.
Comissão de MarketingEleita pelo CDPC para desenvolver a campanha de promoção do café brasileiro, essa comissão é formada por um representante da produção, um representante da torrefação (Abic), um representante do solúvel (Abics) e um representante da exportação (Abecafe), mais dois membros: Carlos Brando, consultor, e David Nahun, secretário da Abic e da comissão.
Cafés especiaisO especialista americano Danny O’Neill disse que tem crescido muito, no mundo, a procura de cafés especiais. Ele mesmo faz blend (mistura) de cafés de vários países, da América Latina (menos do Brasil) à África e Ásia e espera vender este ano 4 mil sacas de 60 quilos, a US$25,00 o quilo. Ele começou vendendo uma saca por mês, e prevê que no ano 2000 poderá vender 7.000 sacas do seu blend. Ele foi ao Encafé para ‘‘vender’’ a idéia de cafés especiais do Brasil, que permitiria vendas direcionadas a preços mais altos.

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