Projetos desenvolvem controles alternativos
PUBLICAÇÃO
sábado, 20 de janeiro de 2007
Marta Ortega<BR>Reportagem Local 
No Paraná, um trabalho conjunto em fitoterapia, homeopatia e controles alternativos em geral, englobando tudo o que não utiliza produtos químicos, está sendo desenvolvido pelo Programa de Produção Animal (PPA) e Programa de Agroecologia (PAG), ambos no Instituto Agronômico do Paraná (Iapar).
Dois projetos já estão em andamento e são coordenados pelo veterinário Alessandro Pelegrine Minho, que está concluindo o pós-doutorado em homeopatia na Universidade de São Paulo (USP), onde também fez o doutorado.
Um dos trabalhos é o de controle de carrapatos bovinos, realizado em 20 animais numa estação Experimental do Iapar em Ponta Grossa. O projeto, que já apresenta resultados positivos, vem sendo testado há três anos com um produto comercial, liberado pelos Ministérios da Agricultura e da Saúde.
Os testes são feitos em animais livres de infecção e de vermes. A intenção é combater o verme waemonchus o que mais ataca bovinos, alojando-se no estômago e destruindo as células desses animais. Como o verme é hematófago alimenta-se de sangue o animal, geralmente, morre de anemia, explica o veterinário.
Para combater o verme, a larva é inoculada via oral, diluída em água e aplicada com seringa na língua do animal. O período para que a larva se desenvolva é de 28 dias. Depois disso, o animal é tratado com fitoterápico (remédio oriundo de planta), durante dez dias.
No caso da homeopatia, vamos tratar durante 30 dias no alimento. O remédio, em gotas ou em glóbulos de sacarose (açúcar) é colocado no sal mineral ou no concentrado de soja ou milho oferecido ao animal.
Os remédios homeopáticos utilizados nesse caso são preparados nas mesmas farmácias de manipulação de remédios humanos. A matéria médica também é a mesma utilizada em pessoas. A única diferença é que o tratamento é feito da mesma forma em todo o rebanho. O tratamento só é individualizado quando um animal apresenta sintoma diferenciado.
Avaliamos o sintoma geral do rebanho para realizar o tratamento. É como tratar uma epidemia humana de gripe aviária. Se um animal apresentar problema diferenciado, individualizamos o tratamento, alterando a diluição do medicamento ou até mesmo trocando de medicamento, afirma o veterinário.
Durante esse período, é feito um acompanhamento no número de ovos que as fêmeas de waemonchus eliminam nas fezes dos animais. Observamos quantos ovos transformam-se em larvas.
No final do experimento, os animais são abatidos para análise da carga parasitária (número de vermes adultos que o animal tem no sistema digestivo). A partir daí, é feita a comparação entre o grupo tratado e o não tratado.
Fitoterapia Outro teste que está em andamento é o fitoterápico, com um produto com alta concentração de taninos condensados (composto fenólico das cascas e folhas de árvores que dá a característica adstringente de fruta verde). O produto é retirado da casca da árvore acácia e vem sendo testado no mesmo grupo de bovinos de Ponta Grossa, via oral, também para controle parasitário.
De acordo com o veterinário, pesquisas em humanos com o tanino indicam que o produto é antioxidante (combate o envelhecimento) e anti-cancerígeno. Usando o controle alternativo nos animais fitoterápico e homeopático em épocas determinadas, diminui a chance de a bactéria tornar-se resistente, além de reduzir o resíduo químico na carne, tornando o animal mais saudável.
O projeto fitoterápico é um projeto de pós-doutorado da CNPQ, englobado pelo Iapar. A intenção agora é patentear o produto.
Londrina Na região de Londrina, os experimentos com homeopatia em animais ainda estão no começo. Os testes in vitro tiveram início no mês passado, na Estação Experimental do Iapar, em Ibiporã (14 Km a leste de Londrina) .
Eles são feitos com quatro animais que são doadores de larva, 15 ovinos para adaptar a dose do remédio e outros 21 animais, divididos em três grupos de sete cada um. Dois grupos vão receber o tratamento e o outro servirá para fazer o controle.
Já os testes de larvas in vitro (em laboratório), também para o controle de vermes weamonchus terão início em abril ou maio. O início da avaliação depende do período de estação de monta dos animais, deve ser feito a partir em maio ou junho. Os testes serão realizados na área de Sanidade Animal (Laboratório de Parasitologia Animal) na sede do Iapar.
Neste caso, outras 20 ovelhas serão avaliadas no período peri-parto (um mês antes e um mês depois do parto). Dez ovelhas serão tratadas e dez não, durante 60 dias, onde será analisada a contaminação do ambiente.
Durante este teste a infecção é natural. O rebanho se alimenta do pasto contaminado pela larva, através das feses. A intenção é reduzir a contaminção do ambiente. Diminuindo a contaminação, diminui o tratamento dos animais durante o ano.


