Projeto prevê multiplicação do conhecimento científico
Segundo o pesquisador Gustavo Ribas Curcio, da Embrapa Florestas, o Projeto Biomas será operacionalizado em cinco planos de ação, com destaque para a fase inicial de gestão, que compreenderá o estabelecimento de parcerias técnicas, nas quais CNA e Embrapa buscarão apoio em universidades federais, estaduais e privadas, além de outras entidades, inclusive organizações não-governamentais ligadas à questão ambiental.
''Este é um projeto atemporal mas que pretende incorporar dois biomas a cada dois anos, começando pela Mata Atlântica e Cerrado. Para os próximos três meses queremos que todos os pesquisadores, 30% a 40% deles da própria Embrapa, já estejam reunidos na sede da Embrapa Florestas para ir a campo'', explica Curcio.
Conforme ele, a segunda etapa será de seleção, caracterização e interpretação de potencialidades e fragilidades das paisagens rurais dos diferentes biomas brasileiros, com o objetivo de fornecer subsídios para as pesquisas futuras. ''Este período deve durar mais três ou quatro meses e ao final de sete meses devemos apresentar os primeiros resultados.''
Criação de uma rede de experimentação nacional intensiva, para a proteção e uso sustentável de Áreas de Preservação Permanente (APPs) e entornos nos biomas brasileiros, compreende o terceiro plano de ação, que será baseado na interpretação dos resultados da etapa anterior.
Já a quarta etapa do Projeto Biomas envolve a criação de uma rede de experimentação extensiva, com a implantação efetiva de unidades de povoamento florestal que ocuparão de 1 mil a 2.5 mil hectares, envolvendo de 500 a 1.250 propriedades rurais.
De acordo com Curcio, tais povoamentos serão formados por sistemas florestais homogêneos ou heterogêneos, com espécies de rápido crescimento, nativas ou exóticas, que propiciem retorno econômico no curto prazo, junto a outras espécies de crescimento mais lento, mas de madeira com elevado valor de mercado. Também contará com a presença de pesquisa em sistemas agroflorestais formados para diferentes fins, inclusive para atenuar a pressão sobre as APPs.
Por fim, a transferência de tecnologia pretende capacitar multiplicadores e agentes locais para levar o conhecimento científico diretamente ao produtor e também para técnicos e pesquisadores regionais. Isso se dará por meio de visitas locais, implantação de novas unidades de pesquisa sob supervisão técnica de instrutores, além de repasse de informações por meio de rede específica na internet.
Segundo a presidente da CNA, Kátia Abreu, a confederação vai entrar com os recursos financeiros e a Embrapa com o trabalho de pesquisa propriamente dito. Cerca de 70% dos custos serão destinados à qualificação e mobilidade dos pesquisadores, que terão à disposição dez caminhonetes para girar pelas unidades experimentais. ''Outros R$ 20 milhões devem ser investidos na divulgação do projeto para estimular o produtor a participar.'' (M.G.)





