Desde 2005, o Projeto Organics Brasil trabalha para vender orgânicos brasileiros certificados no exterior. A iniciativa nasceu de uma parceria da do Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), o Instituto de Promoção do Desenvolvimento (IPD) e Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). As 65 empresas associadas são incentivadas a participar de eventos no exterior para a divulgação da marca e fechamentos de negócios.
  ‘‘Nossa pretensão é estimular produtores e empresas do setor a se desenvolverem neste mercado, com o suporte necessário para aprimorar os negócios e ampliando oportunidades para o comércio exterior’’, explica o coordenador executivo do Organics Brasil, Ming Liu.
  O Ministério da Agricultura afirma que a produção nacional de orgânicos movimenta anualmente US$ 250 milhões. Deste total, 70% correspondem a vendas externas. O aproveitamento deste mercado reflete-se nos associados que bateram recorde de movimentação financeira de US$ 29 milhões (de janeiro a julho deste ano) contra US$ 13 milhões do ano passado. No início do segundo semestre, o primeiro lote de kiwi orgânico foi enviado à Europa. Ao todo, 20 toneladas da fruta brasileira foram embarcadas pelo Porto de Paranaguá (PR) e, agora, estão distribuídas entre os principais varejistas europeus.
  ‘‘Uma das nossas batalhas é incentivar a produção de itens com valor agregado e sairmos do patamar de fornecedores de matérias-primas. Assim, o produtor terá uma lucratividade maior’’, avalia Liu. O projeto concentra empresas já prontas para colocar o item no mercado externo, nas áreas de cosméticos, alimentos processados, têxtil, insumos, produtos típicos brasileiros, entre outros.
  Em termos de País, apenas 25% da produção nacional vai para a mesa dos brasileiros – hortaliças, café, açúcar, sucos, mel, geléias, feijão, cereais, laticínios, doces, chás e ervas medicinais são os produtos mais procurados. Se por um lado, estamos construindo uma nova identidade alimentar aqui dentro, os produtos tupiniquins atuam com força no mercado externo. Os destinos mais procurados são Europa, Estados Unidos e Japão. A soja, o café e o açúcar lideram as exportações. ‘‘Quando a leis dos orgânicos for regulamentada, a expectativa é que as exportações aumentem porque assim, os países terão a idéia bem clara dos processos de produção e poderão avaliar melhor as compras. Deixará de ser um trabalho de divulgação pessoal de cada empresa, mostrando como ela produz, para ser algo nacionalizado’’, comenta Liu.
  A Organics freqüenta cerca de oito eventos internacionais por ano, onde os associados fazem demonstração dos produtos. Em setembro, o Brasil já confirmou a presença na Feira Internacional de Orgânicos (BioFach) de Tóquio, Japão. No início do ano, a presença na ExpoVest, em Anaheim (EUA), seis empresas associadas fizeram mais de 170 contatos. O potencial de negócios foi calculado em US$ 1,2 milhão para 2008. (C.P.)

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