Projeto integrado resulta em indústria de suco
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sexta-feira, 26 de outubro de 2001
Cláudia Barberato<br> De Londrina 
Foi inaugurada no último sábado, em Rolândia (25 km a oeste de Londrina), a indústria de sucos da Cooperativa Agropecuária de Rolândia (Corol). O objetivo é vender suco concentrado para os mercados interno e externo, dentro do sistema integrado de produção, e conseguir um preço diferenciado para remunerar melhor o produtor, explica o diretor industrial da Corol, Antonio Sérgio Oliveira. A estimativa do diretor é conseguir uma agregação de até 30% a mais no valor de mercado.
A fábrica tem capacidade instalada para processar 2,5 milhões de caixas de laranja até 2004/2005, o que representa 10 mil toneladas de suco. Em 2001/2002 serão realizadas as primeiras exportações de suco concentrado da marca Corol Citrus para o mercado externo. Em 2001 deverá ser exportado algo em torno de 500 toneladas. Já em 2003 haverá produção de suco concentrado para o mercado interno em embalagem longa vida.
Garantia de sanidade
O projeto integrado prevê a implantação da rastreabilidade da produção, usando controle biológico na propriedade para combater os problemas na lavoura. Na área industrial os métodos de controle de qualidade ISO e as análises de pontos críticos no processo e as boas práticas de fabricação serão implantadas. O objetivo é atender as exigências do mercado externo, notadamente o europeu, na área de segurança alimentar.
Sistema integrado
A vantagem da indústria trabalhar em sistema integrado, de acordo com Oliveira, é que a fábrica tem garantia da matéria-prima e o produtor a segurança de onde comercializar sua produção.
Já estão implantados 2.300 hectares de pomares para atender a demanda da indústria. Segundo Oliveira há um cronograma de plantar novos pomares para atender a demanda estimada da fábrica para 2004/2005. A expectativa é receber 4,5 milhões de caixas e produzir 17 mil toneladas de suco.
Na próxima safra (2002) a indústria, estima Oliveira, deverá processar 1,5 milhão de caixas para fabricação do suco concentrado (6 mil toneladas aproximadamente) e comercializar mais 300 mil caixas de frutas in natura no Sul do País. O restante da capacidade da fábrica poderá ser terceirizado.
A safra está sendo colhida. A colheita normalmente vai de abril/maio até novembro/dezembro.
Vantagens para o produtor
Cento e cinquenta cooperados são os primeiros fornecedores da indústria. Alguns já cultivam a laranja há quase 10 anos, quando foi lançada a primeira idéia de montar a fábrica. A médio prazo o projeto será aberto para participação de outros produtores até chegar ao recebimento de 4,5 milhões de caixas, capacidade que poderá ser expandida na indústria.
''Com a citricultura, além de agregar valor, o produtor tem a vantagem de manter uma cultura permanente com resultado superior a maioria das outras culturas,'' garante o presidente da Corol, Eliseu de Paula.
Aproveitamento total
O projeto da indústria da Corol prevê aproveitamento dos subprodutos da laranja. Depois do líquido ser extraído para suco, o bagaço, por exemplo, poderá ser utilizado na alimentação animal. Os óleos essenciais extraídos da fruta poderão ser usados na indústria química e água indústrial na fertiirrigação de plantios de cana ou outras lavouras.
Novos projetos
A intenção da cooperativa é ampliar o projeto industrial para outras frutas, avisa o diretor da Corol. Com pequenas modificações no processo, segundo Oliveira, é possível trabalhar com maracujá, abacaxi e uva, frutas potenciais que podem ser cultivadas na região.
Até a safra passada parte da laranja proveniente dos pomares dos cooperados da Corol era vendida in natura, distribuída no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Outra parte era mandanda para as duas outras indústrias de suco do Paraná que ficam no Noroeste do Estado, a Paranacitrus, da Cooperativa Cocamar; e a Criti, de um grupo de produtores.
Como participar do projeto
Para entrar no projeto a cooperativa financia a compra de mudas, que custa R$ 2,00 a unidade. Gasta-se 350 pés por hectare ou R$ 700,00 por hectare. As mudas são feitas num viveiro em Atalaia (PR) com assessoria do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar). Há também assessoria dos agrônomos da cooperativa no manejo de toda a produção que também determina o ponto de colheita, que é feita por um condomínio de produtores que organiza a mão-de-obra necessária.
No terceiro ano de instalação do pomar, segundo Oliveira, já há uma pequena produção que poderá ser enviada à indústria. Nos três primeiros anos, antes da laranja começar a render, pode-se intercalar a área do pomar com soja, milho, feijão ou trigo, para não ficar sem renda.
No quarto ano colhe-se a safra normal e parte da produção já vai dar para saldar alguma coisa dos investimentos. O retorno do dinheiro investido, dependendo da produção, pode acontecer entre o quinto e sexto ano de produção.
Antigo desejo
A idéia de fazer uma indústria de sucos na Corol é antiga e começou a ser traçada na década de 80, quando o presidente da cooperativa Eliseu de Paula e o agricultor Claus Kaphan visitaram pomares de laranja na Flórida (EUA). O objetivo era apresentar uma alternativa de lavoura aos produtores, na maioria cafeicultores que tiveram o café dizimado pelas geadas.
No início dos anos 90 foram implantados os primeiros pomares. Um dos pioneiros foi o próprio Kaphan. O projeto agrícola avançou e em 1997 teve início o processo industrial. Inicialmente a fábrica seria construída somente para produzir suco pronto, vendido em embalagem longa vida. Em 1998 o projeto foi ampliado para produção de suco concentrado, visando mercado externo. Um financiamento do Recoop viabilizou a construção da indústria a partir de 1998. Foram investidos $ 13 milhões até hoje.


