Arquivo FolhaRecursos externos deverão antecipar o cronograma para 6 anosO setor agropecuário do Paraná está prestes a dar o primeiro grande passo rumo à competitividade. Esta semana foi entregue em Brasília a documentação referente aos convênios firmados entre Ministério e Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Estado (Seab), para liberação de recursos que serão utilizados em projeto de defesa agropecuária.
Segundo o chefe do Departamento de Fiscalização (Defis) da Seab, Luiz Carlos Hatschbach, os R$ 7 milhões destinados ao setor já estão disponíveis. Na última terça-feira, ele acreditava que a liberação do dinheiro seria feita em poucos dias. ‘‘O projeto prevê convênios distintos para implementação de 20 Unidades de Saúde Animal e Vegetal; para prevenção e controle no nematóide de cisto da soja e prevenção e controle de doenças dos animais’’, explicou.
De acordo com Hatschbach, os municípios onde serão instaladas as Unidades de Saúde Animal e Vegetal já estão definidos, e entre eles estão Paranaguá, Morretes, Lapa, Castro, Santo Antonio da Platina, Bandeirantes, Rolândia, Maringá, Paranavaí, Cianorte e Palotina, entre outros. Porém, para que o trabalho seja colocado em prática, é preciso que o Governo estadual autorize a contratação de 140 profissionais (100 veterinários e 40 engenheiros agrônomos), já definida anteriormente.
Boas perspectivas‘‘Há mais de 15 anos a Defesa Agropecuária do Paraná não recebe recursos tão significativos’’, afirma o chefe do Defis, lembrando que existe a possibilidade de, ainda este ano, serem liberados mais R$ 2 milhões. ‘‘Para o ano que vem, há perspectiva de que algo em torno de R$ 12 milhões sejam utilizados no setor.’’ Hatschbach afirma que a maior parte dos recursos atuais serão utilizados na compra de equipamentos e veículos e em trabalhos de educação sanitária.
O projeto de defesa agropecuária, preparado pela Ministério da Agricultura e do Abastecimento, Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Estado e Fundo de Desenvolvimento da Agropecuária (Fundepec), que representa a iniciativa privada, chama a atenção para a necessidade de uma grande revolução nas áreas de tecnologia e sanidade agropecuária, como condição para que o Paraná não seja ‘‘deslocado para a margem do grande mercado mundial’’.
Segundo o documento, a competitividade é necessária também para que o produtor rural tenha acesso ao mercado interno, já que os compromissos assumidos pelo País não mais permitem o recurso a medidas protecionistas. ‘‘O Brasil necessita reorientar seus fundamentos de produção, de maneira a adequar-se ao novo ambiente que se desenha no mundo, modificando o enfoque com que é tratada a atividade agrícola’’, diz o projeto.
Para isso, o País deve mudar algumas visões, como por exemplo: de mão-de-obra explorada e barata para mão-de-obra qualificada; de abundância de recursos naturais para abundância de tecnologia e de conhecimentos técnico-científicos; das barreiras à importação para a eficiência dos processos de produção e comercialização; da exploração desordenada dos recursos naturais para o respeito à biodiversidade; do desenvolvimento a qualquer custo social e ambiental para o desenvolvimento sustentável.
Recursos externosA proposta contempla, entre outras coisas, a união de esforços entre iniciativa privada e órgãos públicos, através do Conselho Estadual de Defesa Sanitária. Nos municípios, serão criados Conselhos Locais, que vão estabelecer programas comunitários de sanidade definidos pelas lideranças mais importantes dos agronegócios de cada lugar.
Mas para que os trabalhos ganhem agilidade e possam ser realizados dentro de um cronograma de seis anos, serão necessários recursos obtidos através de financiamento junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (Bird). Se forem contadas apenas as fontes ordinárias de receita, estima-se que serão necessários 15 anos para que o Paraná consiga modernizar sua estrutura de defesa agropecuária.
Segundo Décio Gazzoni, pesquisador da Embrapa - soja e representante do Ministério da Agricultura na elaboração do projeto, a antecipação do cronograma é muito importante, já que quanto mais tempo o Brasil levar para efetivar este processo de modernização, menos dinheiro entrará na receita do País. E muitas oportunidades já foram perdidas, na opinião do pesquisador.
‘‘O Brasil sempre relegou a segundo plano os investimentos em defesa sanitária, enquanto países como Estados Unidos, Japão e União Européia investiam pesado nesta área. O resultado é que hoje ainda nos debatemos com problemas que poderiam ter sido resolvidos há muito tempo, como a aftosa, que nos coloca fora dos mercados de carne europeu e americano’’, lembra Décio Gazzoni.
Para Ágide Meneghette, presidente da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP), o sistema de defesa sanitária vigente não permite que o Estado avance nos aspectos de sanidade e qualidade, já que a fiscalização e a iniciativa privada têm participação passiva. Daí a importância do projeto, que implica em maior comprometimento da iniciativa privada e obediência às regras do mercado internacional.

mockup