A prática da agricultura orgânica vai ganhar novo ânimo em Londrina. Será implementado, em breve, um projeto de fomento, elaborado pela Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento (SMAA), que pretende viabilizar e consolidar a atividade no município. As principais propostas são normatizar a prática, prestar assistência ao produtor, acompanhar o desenvolvimento das lavouras e articular formas de comercialização do produto.
Sengundo César Abrahão, a agricultura orgânica traz inúmeros benefícios‘‘O que pretendemos é fortalecer a agricultura orgânica em Londrina, oferecendo serviços ao produtor e ao mesmo tempo garantindo que o produto ofertado ao consumidor seja realmente orgânico’’, explica o secretário de Agricultura e Abastecimento de Londrina, Samir Cury. Um dos principais passos do Projeto será uma lei municipal que regulamente a atividade. A proposta de lei está em fase final de discussão na Prefeitura e deve ser apresentada à Câmara de Vereadores na próxima semana.
CursosA assistência e a capacitação do produtor são algumas das garantias do projeto. Para isso, será criado um calendário de cursos e encontros técnicos que atendam todas as demandas, desde a produção de hortaliças, ovos, carne, café e grãos orgânicos. A assistência técnica será oferecida por profissionais da própria Secretaria. ‘‘Pretendemos também credenciar técnicos de empresas privadas, para oferecer esse tipo de assistência e também habilitá-los para a emissão de laudos’’, diz Samir Cury.
Carlos Armênio: era dos venenos modificou os hábitos de consumo
O projeto prevê, também, um trabalho de vistoriamento das lavouras orgânicas, para garantir a qualidade do produto. Segundo o agrônomo da SMAA, César Abrahão, ainda está sendo discutida a criação de um selo de qualidade. ‘‘Não sabemos se vamos criar um selo próprio ou certificar o selo de cada produtor’’, diz. Ele garante, entretanto, que a partir desse trabalho os produtos orgânicos enquadrados no projeto terão identificação da SMAA.
Para abrir novos canais de comercialização, a Secretaria fará um trabalho junto a supermercados. O objetivo é evitar que a venda dos orgânicos fique restrita às feiras-livres ou às cestas - práticas mais comuns, atualmente, entre os produtores de Londrina. Além disso, serão abertos espaços em outros projetos da Secretaria, como a Feira do Produtor e a Feira das Nações.
QualidadeBusca por alimentos mais saudáveis levou Teruko Minowa a produzir orgânicosBenefíciosSegundo César Abrahão, o fomento à agricultura orgânica no município pode viabilizar pequenas e médias propriedades. ‘‘Mais que isso, é uma atividade econômica viável e que pode trazer muitos benefícios para o produtor’’, argumenta. Uma das vantagens é a lucratividade. Os produtos orgânicos têm alcançado valor até 30% maior que os convencionais, ao mesmo tempo que têm custo de produção igual ou até inferior. Outros benefícios são a sustentabilidade agrícola, os produtos mais saudáveis e a preservação do meio ambiente e da saúde do homem, uma vez que o veneno deixa de ser usado na lavoura.
O agrônomo lembra que o conceito de agricultura orgânica vai muito além da não utilização de veneno. ‘‘A certificação, por exemplo, é dada para a propriedade e não para o produto’’, explica. Por isso, a qualidade da água e a adubação natural devem ser consideradas no momento de praticar a produção orgânica. ‘‘Outro exemplo: não é certificada como orgânica, a produção que tenha utilizado mão-de-obra infantil.’’
Segundo Flávio Minowa, barreira natural protege plantas das pragas
RecomendaçõesPor definição, na agricultura orgânica estão proibidos todos os biocidas, lembra o pesquisador da área de Fitotecnia do Iapar, Carlos Armênio Khatounian. A adubação deve abranger a reciclagem de matéria orgânica, rotação de culturas e cobertura verde. Para quem está iniciando na atividade, o pesquisador recomenda que sejam utilizadas cultivares mais rústicas, com maior resistência a pragas, doenças e adversidades climáticas.
A época de plantio também deve ser respeitada. Segundo Khatounian, essa é uma das maiores dificuldades da agricultura orgânica, porque a ‘‘era dos venenos’’ modificou os hábitos de consumo. ‘‘Hoje estamos habituados a ter todos os tipos de alimentos em qualquer época do ano. Isso só é possível com a utilização de químicos. Essa é uma cultura que precisa ser mudada, se quisermos consumir sempre alimentos mais saudáveis’’, explica.
O sucesso na prática da agricultura orgânica depende dessas recomendações; do monitoramento constante das lavouras e do acompanhamento da assistência técnica. ‘‘Seguindo esses passos, 90% dos problemas estão resolvidos’’, diz o pesquisador. Para ele, produzir orgânicos é um bom negócio tanto nos aspectos econômicos, quanto sociais e ambientais.
Economicamente, a busca por alimentos com mais qualidade tem elevado o consumo de produtos mais saudáveis. Assim, o mercado de orgânicos no Brasil tem crescido cerca de 10% ao ano, desde 1990. Por não usar agrotóxico e fertilizantes químicos, a agricultura orgânica não polui o ambiente, evita a intoxicação do trabalhador rural e produz alimentos que não afetam a saúde do consumidor.

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