Projeto dá oportunidade aos presos
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sexta-feira, 29 de abril de 2005
Jaime Kaster<br>Reportagem Local 
Desde novembro de 2003 os detentos de cinco penitenciárias do Paraná estão tendo a oportunidade de se capacitar para trabalhar na área rural. Além das atividades escolares, esportivas e artesanais que já desenvolviam dentro dos presídios, agora eles estão podendo iniciar uma profissionalização por meio de cursos oferecidos todos os meses pelo Senar-PR. Os presídios que estão recebendo os treinamentos rurais são os de Piraquara (região metropolitana de Curitiba), Guarapuava (região central), Londrina (Norte), Maringá e Paiçandu (Noroeste). Como a maior parte dos detentos cumpre pena em regime fechado, quase todos os cursos acontecem dentro do pátio dos presídios, e não em colônias penais agrícolas, como o Senar gostaria. Das cinco unidades prisionais, a única que funciona nessas características é a de Piraquara.
Em Londrina, os oito cursos disponíveis são todos ministrados dentro de salas ou do pátio da Penitenciária Estadual (PEL). Mas isso não diminui o interesse dos internos, que enxergam nos cursos uma oportunidade de talvez descobrirem uma profissão. De 2003 até hoje já aconteceram 18 treinamentos para os presos da PEL, cada um com turmas de 15 alunos. Isso significa que 270 deles, de um total de 600 detentos da unidade, já receberam algum tipo de instrução.
''Eles aproveitam ao máximo tudo o que é oferecido aqui dentro, pois como ganham certificado de conclusão, a possibilidade de arrumarem trabalho é maior. Aquele que tiver feito, por exemplo, curso de aplicador de defensivos, pode trabalhar como agente sanitário da dengue'', exemplifica a pedagoga da PEL, Kazuco Numata.
O superintendente do Senar, Ronei Volpi, diz que o órgão se voltou a esse público porque muitos dos detentos do Paraná são oriundos da área rural. ''Para nós, o melhor que eles têm a fazer quando saírem é voltar para o campo ao invés de inchar as cidades. A meta dos nossos cursos é facilitar a reintegração deles à sociedade para que não caiam na reincidência'', afirma ele.
O curso mais frequentado, até porque exige dos internos apenas a 4 série primária, é o de aplicador de agrotóxico costal. Os detentos simulam a pulverização usando apenas água e aprendem a se proteger do produto químico para evitar acidentes e intoxicação. Já passaram pelo curso 135 presos. Outros cursos que também exigem pouca escolaridade são os de processamento de derivados de leite, conservas vegetais e artesanato em bambu.
Informática Já para participar dos três módulos de administração rural e o de classificação de grãos, o interno precisa ter 1º grau completo. E no caso do módulo final do curso de administração, que consiste na operação do software ''Escrita Rural'', precisa ainda ter cursado a informática básica, oferecida aos detentos da PEL pela Sercomtel, em convênio com o Centro de Democratização da Informática.
''Como Senar exige escolaridade, desde que vieram para cá os cursos de administração rural, a procura dos internos pelos supletivos de 1º e 2º grau cresceu muito. Isso tem contribuído para que eles saiam daqui capacitados e melhor preparados para enfrentar o mercado de trabalho'', destaca Kazuco Numata. O problema é que muitos dos que passam pelos cursos ainda têm anos a cumprir dentro da PEL até ganharem a liberdade condicional. ''Isso, porém, não diminui o entusiasmo deles nem invalida a iniciativa. Não podemos restringir as atividades apenas àqueles que estão no final da pena. E quem quiser rememorar o conteúdo mais tarde, pode repetir o curso quando estiver para sair'', explica a pedagoga.


