AmbienteO veneno usado na soja não chega mais ao rio, graças à barreira de árvores (ao fundo)Um projeto iniciado há quatro anos e meio em Alvorada do Sul, no Vale do Paranapanema, Norte do Paraná, vem dando os primeiros resultados de reposição das matas ciliares na margem de um braço da Represa de Capivara (formada para funcionamento da hidrelétrica de Capivara), na divisa com São Paulo. Frutíferas e árvores nativas diversas estão formando uma faixa protetora do lago, em chácaras e propriedades rurais situadas na margem ao norte da cidade.
O projeto vem sendo conduzido e estimulado pelo engenheiro-agrônomo Reinaldo Néri dos Santos, técnico local da Emater, com apoio da Comissão Municipal de Reflorestamento de Alvorada do Sul, Prefeitura, escolas, cooperativas e empresas de planejamento agrícola. Reinaldo lamenta que a Companhia Energética de São Paulo (Cesp) esteja ‘‘muito distante do papel que deveria ter no programa’’. Ele gostaria que a empresa elétrica paulista pelo menos doasse mudas para as margens dos rios.

Reinaldo (de boné) e João Olímpio, junto a uma goiabeira, na chácara da AABBColaboraçãoA professora Cirlei Schen, vice-diretora da Escola Estadual Anastácia Cerezini, é uma das colaboradoras. João Domingos dos Santos, dono de 4 hectares e meio, substituiu por árvores uma parte de sua lavoura de soja. Cirlei faz parte da Comissão Municipal de Reflorestamento Ciliar e orienta os alunos de sua escola a colaborarem no plantio das árvores na beira da represa.
João foi o primeiro agricultor a, espontaneamente, procurar a Emater, para participar do projeto. Ele conseguiu apoio e plantou as árvores há três anos e meio, ao lado da chácara da Associação Atlética Banco do Brasil (AABB), que um ano antes reflorestara uma faixa junto da represa. Algumas frutas, como goiaba (branca e vermelha) e jambolão já podem ser saboreadas neste verão, tanto na AABB quanto na propriedade de João Domingos.

Josoé de CarvalhoMata de três anos e meio, na margem do lago formado para funcionamento da hidrelétrica de CapivaraConscientizaçãoConservar ou repor as matas ciliares é uma obrigação legal, mas em Alvorada do Sul o que se deseja é a conscientização dos proprietários, e na margem sul de um dos braços da represa de Capivara, que banha a cidade, alguns proprietários fizeram ou estão fazendo o replantio das árvores. Isto indica a conscientização de proprietários para a necessidade de preservar também a água da represa. ‘‘Muitos agricultores costumam plantar soja até na beira da água, e parte dos venenos usados contra pragas e doenças acaba indo parar na represa’’, comenta o agrônomo Reinaldo Néri dos Santos.

Estudantes plantam árvores na beira da represa, em propriedade no município de Alvorada do SulO reflorestamento, com largura e comprimento variados, diminui ou elimina o escorrimento de venenos para dentro do rio. O projeto de reposição ciliar, na opinião de Reinaldo, ainda não alcançou o resultado que ele esperava, pois são poucos os proprietários que aderiram, apesar das facilidades oferecidas: mudas gratuitas (produzidas nos viveiros da Universidade Estadual de Londrina e da Emater); plantio gratuito, pelos estudantes (são cerca de 2.500 estudantes, em Alvorada); acompanhamento do desenvolvimento das mudas.
EspéciesNem sempre se encontram as árvores ideais para aquele tipo de reflorestamento, mas quando faltam mudas, as espécies disponíveis são utilizadas conforme a vontade do dono da terra. Por exemplo, o agricultor João Olímpio Firmano queria plantar, em sua faixa na beira do lago, uma fila de peroba. Foi atendido. Costumeiramente nas faixas são plantadas mudas de árvores de crescimento rápido (de 1,5 a 2 metros por ano, como mutambo), médio (1 a 1,5m/ano, como pau-d‘lho, ipê, tarumã, falsa erva-mate, jacarandá-mimoso, canafístula, tipuana, gurucaia), e lento (menos de 1m/ano - peroba, cedro, ipê-roxo, cabreúva), além de uva-japonesa.
São cultivadas ainda, na região, candiúva, capixingui e sibipiruna, entre outras. Foram plantadas no total 35 espécies, entre elas frutíferas nativas: ingá, banana-de-macaco, abiu, azedinha, araçá, uvaia, uva japonesa, goiaba e figueira, entre outras. No primeiro ano o proprietário (ou os voluntários do projeto) cuidam, fazem o manejo da mata jovem. Depois, deixam aos cuidados da Natureza.
Proprietários de áreas ribeirinhas, nos dois lados do braço de Capivara que banha Alvorada do Sul, estão fazendo loteamento de chácaras, e os compradores das chácaras vêm procurando a Emater, interessados em mudas de árvores para a faixa mais próxima da água. Reinaldo prevê que os chacareiros poderão sensibilizar, pelo exemplo, os agricultores a reconstituir as matas ciliares, e dessa maneira formar um ‘‘cordão ecológico’’ ao longo da represa.

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