Projeto apóia produção de sementes
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 03 de agosto de 2007
Reportagem Local 
O apoio do governo estadual à produção de sementes genéticas e básicas está além da garantia de comercialização junto aos mercados mais exigentes. Um exemplo é a semente de milho branco - cultivares IPR 119 e IPR 127 - produzida pelo Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR), em Londrina.
Essa semente pode alcançar preços até 30% superiores no mercado nacional em relação à variedade amarela. ''Hoje, muitas indústrias brasileiras de renome só compram milho branco se este for produzido com as cultivares do IAPAR'', informa o produtor paranaense José Carlos Belon, da empresa Sementes Nascente, um dos 71 parceiros da instituição no Estado - ao todo, no País, eles somam 112.
Lançada em 2003, no município de Irati, região central do Estado, para atender principalmente pequenos produtores, o milho branco IPR 119 vem sendo utilizado com bons resultados na agricultura paranaense e brasileira e também na indústria de canjica, fubá, farinha, amidos e outros derivados. ''Além do milho, sementes de outras espécies, provenientes dos trabalhos de pesquisa do Iapar, também vêm conquistando o mercado nacional, caso, por exemplo do café, feijão e trigo'', informa o engenheiro agrônomo da Área Técnica de Propagação Vegetal do Iapar, Alberto Sergio do Rego Barros, coordenador do projeto ''Produção de Sementes Genéticas e Básicas para o Desenvolvimento da Agricultura Paranaense''.
Implantado pelo governo estadual em 2004, o projeto é um dos 329 apoiados pelo Fundo Paraná, gerido pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), com recursos que somam R$ 1,6 milhão. ''O objetivo é disponibilizar sementes de espécies de interesse econômico e social para o Estado do Paraná'', explica o agrônomo. O projeto vem sendo realizado em parceria com o IAPAR e a Fundação de Apoio a Pesquisa e ao Desenvolvimento do Agronegócio (Fapeagro). As sementes produzidas são as de feijão, milho, trigo, triticale, aveia, centeio, café e arroz, além de espécies próprias para adubação verde, como nabo e ervilha forrageiros. Esse material é repassado aos produtores de sementes com base em contratos de licenciamento de cultivares, que por sua vez produzem as sementes que serão disponibilizadas aos agricultores.
No total, aproximadamente 400 toneladas de sementes genéticas e básicas de várias espécies, dentro do projeto apoiado pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, foram produzidas na safra 2005/2006. Para a safra 2006/2007 a previsão é produzir a mesma quantidade nas Estações Experimentais do Iapar de Londrina, Cambará, Palotina, Pato Branco, Irati e Ponta Grossa.
As sementes lançadas pelo Iapar - às vezes, o trabalho de pesquisa realizado pelo instituto exige de oito a dez anos até o resultado final - vêm sendo utilizadas com sucesso nos estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do Sul, beneficiando todos os segmentos de produtores rurais (pequeno, médios e grandes), de diferentes regiões e trabalhando com diferentes sistemas de produção, inclusive a orgânica.
Mas a entrada no mercado brasileiro de um número maior de produtores de sementes (no Paraná e em algumas regiões brasileiras), também se deu graças à Lei de Proteção de Cultivares, que possibilitou que os materiais das instituições de pesquisa fossem disponibilizados a um maior número de produtores. ''Até alguns anos atrás a produção de sementes de milho ficava quase que exclusivamente por conta das multinacionais. Hoje, os agricultores também utilizam materiais produzidos por instituições oficiais de pesquisa, caso do Iapar'', informa ainda o engenheiro agrônomo Alberto Sergio do Rego Barros.
Além de facilitar o acesso a materiais de qualidade, como as sementes genéticas e básicas, o projeto desenvolvido pelo Iapar também possibilita utilização de mão-de-obra nas lavouras. Um exemplo é a Fazenda Canadá, no município de Nova Fátima, norte do Estado, onde, numa uma área de quatro alqueires, a produção de sementes de milho branco IPR 127, emprega em média 500 pessoas/safra por R$ 30,00/dia. ''Aqui, todos os trabalhadores são registrados e têm equipamentos apropriados'', relata ainda o produtor José Belon. ''Tudo para garantir a qualidade do produto''.


