Projeção otimista para a cadeia animal
Estudo aponta cenários para todo o setor de carnes paranaense quando o Estado se tornar área livre de aftosa sem vacinação, em 2021
PUBLICAÇÃO
sábado, 30 de março de 2019
Estudo aponta cenários para todo o setor de carnes paranaense quando o Estado se tornar área livre de aftosa sem vacinação, em 2021
Victor Lopes - Grupo Folha 

Foram muitas discussões acaloradas, análises econômicas aprofundadas, potencial de perdas e ganhos junto aos pecuaristas e principalmente sobre a capacidade de fiscalização sanitária do Paraná, mas, enfim, o status de área livre de aftosa sem vacinação está prestes a se tornar uma realidade no Estado, já em 2021. Um caminho sem volta – aprovado pelas principais entidades do agro paranaense, com ressalva de muitos, é verdade.
Agora no mês de maio, se tudo correr como planejado pela Seab (Secretaria de Agricultura e Abastecimento), deverá acontecer a última campanha de vacinação contra a doença para animais de até 24 meses. Um comunicado será enviado à OIE (Organização Mundial de Saúde Animal) informando que a partir dessa data não há mais vacinação. Vale dizer que duas auditorias já foram feiras pelo Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) em 2018. Aliás, segundo a pasta, 83% dos quesitos analisados alcançaram ou superaram a pontuação da auditoria, que fez um pente fino nos sistemas de defesa sanitária em todos os estados brasileiros. O Paraná foi o estado mais bem avaliado até aqui. Vale dizer que de julho a agosto de 2020 o Mapa volta ao Estado e realiza buscar para verificar se não há circulação viral no território. Só depois formaliza o pedido junto a OIE.
Bem, deixando em segundo plano as análises técnicas e de sanidade, é importante saber os impactos econômicos – inclusive sobre as outras proteínas além da bovina – serão muito grandes no Paraná. Um estudo apresentado este mês pelo Deral (Departamento de Economia Rural) da Seab para diversas entidades aponta que os ganhos sobre suínos, aves, leite e, claro, a produção de bezerros no interior do Estado são bem representativas.
Segundo Deral, com a conquista do status sanitário, só as exportações de carne suína poderão saltar de 107 mil toneladas atuais para 200 mil toneladas por ano. Para o cenário estimado basta que o Estado conquiste apenas 2% do mercado liderado por China, Japão, México e Coreia do Sul, que pagam mais pelo produto com reconhecida qualidade sanitária e representam 64% do comércio mundial de carne suína. Atualmente, apesar de ser o segundo maior produtor do Brasil em carne suína, o Paraná não exporta para nenhum desses países. “O raciocínio funciona de forma similar para outras cadeias, como leite e aves. Há países, por exemplo, que só importam soja, leite e frango de países sem vacinação da aftosa porque consideram que tudo está vinculado e têm receio que o vírus venha em outro tipo de carga”, explica o técnico do Deral, Fabio Mezzadri.
E se há uma preocupação sobre a possível falta de bezerros no Estado – há um deficit em potencial entre 400 a 500 mil animais – a Adapar rebate que muito dessa movimentação está concentrada na mão de poucos produtores. O estudo da Agência aponta que essa medida trará impacto imediato em apenas cerca de 30 produtores rurais, que representam 50% das movimentações relacionadas a ingressos de bovinos no Paraná. Na média dos últimos três anos ingressaram no Estado 100,9 mil animais bovinos para abate, cria ou engorda, representando 1,08% em relação ao rebanho do Estado, avaliado em 9,36 milhões de cabeça. “Essa movimentação se concentra não mão de poucos produtores e é um número pequeno se considerar todo o volume econômico da cadeia”, relata a técnica da Adapar, Marta Cristina Dinis de Oliveira Freitas.

O Deral estima que hoje no Estado exista em torno de dois milhões de pastagens subutilizadas, que poderiam muito bem ser trabalhadas na criação de bezerros a partir do momento que as barreiras forem definitivamente fechadas.
Uma das estratégias do programa Pecuária Moderna - desenvolvido pela Seab em parceria com Faep, Emater, Adapar e Iapar – é trabalhar mecanismos para aumentar a criação de bezerros em áreas com declives do Estado. Essa iniciativa representa uma grande oportunidade de desenvolvimento para regiões de baixo IDH (Índice de Desenvolvimento Econômico) do Estado, além de suprir um possível “deficit de animais”.
Segundo levantamento dos técnicos - numa prospecção modesta da evolução do rebanho bovino entre os anos de 2019 a 2025, mesmo com índices produtivos bastante conservadores – existe a estimativa de produzir 1,12 milhão de cabeças adicionais de bezerros machos e fêmeas no período.
Considerando um valor médio de R$ 1,2 mil por cabeça, os animais gerariam um incremento de movimentação financeira da ordem de R$ 1,35 bilhão. Esse montante de animais supriria o possível deficit com folga, e ainda sobrariam animais para aumentar a exportação de carnes, concluiu o estudo.


