Programar cio pode incrementar uso da inseminação artificial
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sábado, 30 de novembro de 2002
Cláudia Barberato<br> Reportagem Local 
Em época de estação de monta na propriedade, o veterinário José Roberto Antonio, de Londrina, está indicando que os pecuaristas façam o manejo associado a técnica de Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF). ''Para fazer a inseminação em tempo fixo é preciso programar o cio das fêmeas. Essa programação facilita o uso da inseminação artificial e aumenta a eficiência nas taxas de prenhez'', garante José Roberto, que faz pós-graduação em reprodução e animais de produção, da Universidade Estadual de Londrina.
O manejo começa com a sincronização do cio das fêmeas, feita com uso de fármacos, que controlam a duração do ciclo estral das vacas, facilitando o a detecção de cio e o trabalho de inseminação. ''Com isso pode-se obter um grupo de vacas em cio durante um curto período de tempo, ou até mesmo num único dia. O trabalho facilita todo o manejo da fazenda.''
''Um dos principais fatores que determinam o sucesso de um programa de inseminação é a detecção do cio; trabalho que requer tempo e pessoal adequadamente treinado'', lembra o veterinário.
Segundo ele, pesquisas demonstram que fêmeas zebuínas, por exemplo, têm um comportamento reprodutivo com cio de curta duração em relação às fêmeas européias, associada a alta incidência de cios noturnos. ''Isto dificulta a detecção do cio e prejudica a implantação e a eficiência de programas convencionais de inseminação artificial.''
De acordo com José Roberto, o índice de falhas ou dificuldades na observação de cio chega a 50%. O uso da inseminação artificial em tempo fixo, com a sincronização do cio, tem a finalidade de eliminar o trabalho com a detecção e, portanto, reduzir falhas. ''Podemos também afirmar que esta técnica facilita a manejo da inseminação, concentra os trabalhos em dias pré determinados e reduz a necessidade de muitos touros na propriedade. Cada touro, em monta natural, dá conta em média de 25 vacas.''
Depois da sincronização, na primeira inseminação a taxa de sucesso em prenhez é de 50% em média das vacas que foram sincronizadas. O manejo também pode ser adotado para aquelas fêmeas que de alto valor econômico apresentam atraso ou falta de cio.
O pecuarista pode também refazer a inseminação das fêmeas onde não foi detectada prenhez, subindo para 75% a taxa de acertos ou o repasse com touros. Para os pecuaristas que não usam a inseminação no rebanho o veterinário avisa que é possível contratar mão-de-obra terceirizada para o trabalho.
O médico veterinário José Roberto Antonio aconselha que as propriedades ao adotarem esta técnica, devam tomar cuidado em relação ao número de animais por lotes a serem sincronizados. A recomendação é começar com lotes de 50 a 70 animais e depois ir aumentando conforme o desempenho do pessoal envolvido no processo.
''Deve-se atentar para as dosagens e horários fixados das aplicações dos fármacos, via de aplicação e horário pré estabelecidos para as inseminações e a qualidade do sêmen a ser utilizado.''
Além de permitir o ganho de genético, o uso da inseminação permite concentrar os nascimentos de bezerros em determinada época do ano, de melhores pastagens, por exemplo. Esses animais serão desmamados com melhor peso e terão, se bem manejados, um desenvolvimento uniforme. A vaca também poderá recuperar-se mais rápido para emprenhar o mais rápido possível.
''Um dos pontos mais importantes é a condição corporal dos animais. O uso da técnica no início da estação de monta resulta em maior chance de emprenhar as vacas e novilhas no início do período; com a finalidade de reduzir duração (da estação de monta), melhorando as condições reprodutivas dos animais.''


