Como acontece com muitos segmentos do agronegócio, o solo também necessita de ações efetivas por parte dos governos federal e estadual para que possa ser conservado e melhor entendido, afinal é um tema que possui diferentes olhares. E 2018 acaba se tornando um ano importante neste sentido, com o início das atividades do Programa Nacional de Solos do Brasil (PronaSolos), o maior trabalho de investigação do solo na história do País. A ação é liderada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e tem apoio da Embrapa, universidades, institutos e empresas de pesquisa e agências especializadas.

O PronaSolos objetiva mapear o território brasileiro e gerar dados com diferentes graus de detalhamento para subsidiar políticas públicas, auxiliar gestão territorial, embasar agricultura de precisão e apoiar decisões de concessão do crédito agrícola, entre muitas outras aplicações. O Programa, orçado em R$ 1,3 bilhão, deve gerar ganhos de R$ 40 bilhões ao País dentro de uma década, de acordo com especialistas.

Os levantamentos de solos serão realizados em escala de semidetalhe (1:100.000), com suas respectivas interpretações e características. Os mapas atuais, em grande parte, não possuem escala viável para o manejo de solo em nível de microbacias, muito menos para propriedade rural. "Conhecemos muito pouco o solo brasileiro e talvez por isso estamos tendo alguns problemas com seu uso, apesar da nossa agricultura conservacionista elogiada no mundo inteiro", avaliou coordenador do PronaSolos e chefe geral da Embrapa Solos, José Carlos Polidoro.

E toda essa reunião de informações, segundo Polidoro, ainda é muito voltada para o combate da erosão. Ele relata que inclusive que muita gente tem feito o plantio direto de forma pouco técnica para facilitar as operações, o que faz com que a técnica não se torne nada conservacionista e acabe acarretando áreas de SPD com erosão. "Não estamos ainda conseguindo essa ligação continua com o setor produtivo para que toda essa questão da agricultura conservacionista seja uma prática comum a todos. A aplicabilidade tem que ser melhor. Há uma desconexão entre a ciência do solo e o sistema produtivo".

Para meados de 2019, já estará hospedado dentro do site do Mapa o Portal Pronasolo, em que as informações geradas nos estados serão divulgadas de forma organizada para diversos usos. "As informações pode ser utilizadas pelas instituições e prestar serviços para agricultor e o cidadão comum, como (relacionados a) zoneamento, vulnerabilidade frente a eventos climáticos, interesse geológicos...". (V.L.)

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