Programa reduz agrotóxicos no tomate
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 13 de maio de 2005
Jaime Kaster<br>Reportagem Local 
Produzir tomate com menos agrotóxico, mantendo o atual volume de produção e o padrão de renda dos produtores é o desafio do Projeto Hortinorte, criado pela Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab), e desenvolvido pela Emater, em parceria com empresas privadas, desde o ano 2000. Desde a implementação, o projeto teve a adesão de 120 grandes produtores da região que vai de Maringá a Santo Antônio da Platina, passando por Londrina e o Vale do Ivaí.
O Hortinorte, como explica o coordenador , o agrônomo Paulo César Hidalgo, do escritório regional da Emater de Cornélio Procópio, busca a racionalização do cultivo de hortaliças e a redução do uso de agrotóxicos. O público inicial eram os produtores de tomates, mas já se estende aos campos de repolho, couve-flor, e brócolis. A ação está atingindo também produtores de pimentão, pepino e tomates em estufas. Pelo programa, filhos de produtores são treinados para realizar o monitoramento de pragas. O controle é feito toda semana e a aplicação de defensivos só ocorre quando a população de insetos oferece risco econômico.
Na região, segundo o coordenador, existem atualmente cerca de 1.700 produtores de tomate. Desse total, ele estima que, apenas 600 a 700 recebam orientações da assistência técnica sobre manejo. E um grupo ainda mais restrito, de apenas 120 agricultores, integram o Hortinorte e são acompanhados por meio desses monitores ou pragueiros. A produção de tomates orgânicos é ainda menor, apenas 20 (1,1%) produtores distribuídos nos municípios de Maringá, Marilândia do Sul e Barboza Ferraz.
Nas áreas monitoradas pelo projeto, o número de aplicação de agrotóxicos nos tomateiros já foi reduzido em 40%, graças às técnicas alternativas desenvolvidas pela Emater. ''Ainda temos um longo caminho a percorrer, mas para nós isso já é uma conquista, pois está permitindo que os nossos produtores mantenham o volume de produção e ofereçam ao consumidor um produto mais saudável'', afirma o agrônomo. A meta é reduzir cada vez mais o uso de agroquímicos, barateando a produção e, quando necessário, optar por aqueles produtos que tenham menor impacto sobre a saúde do consumidor e do aplicador.
O Hortinorte, de acordo com Hidalgo, deverá ter um selo de identificação dos tomates comprovadamente mais saudáveis. ''Assim o consumidor saberá diferenciar o produto que está comprando no supermercado'', diz. Por enquanto, os tomates com menos agrotóxicos acaba sendo comprado por atacadistas que os misturam com os de outra procedência, informa o técnico. A separação e a garantia de rastreabilidade do tomate Hortinorte só devem acontecer dentro de dois ou três anos, conforme expectativa de Hidalgo.


