Do Rio Grande do Sul, a doença propagou-se para outros Estados. Antes de chegar aqui – trazidapelas primeiras importações de bovinos europeus –, a aftosa fora causa de uma grande epidemia na Europa, onde a doença já era conhecida desde de 1546, segundo o Ministério da Agricultura.
Os prejuízos diretos e indiretos ocasionados pela febre aftosa na produção e produtividade dos rebanhos brasileiros e as limitações à comercialização de excedentes pecuários em mercados internacionais vêm exigindo das autoridades sanitárias, ao longo do tempo, um constante esforço para controlar a doença e proporcionar condições para a sua erradicação do País.
Código de Polícia SanitáriaO combate à febre aftosa de forma organizada, iniciou-se no Brasil em 1919, quando o Ministério da Agricultura, através de uma política normativa e fiscalizadora estabeleceu, com a implantação do Código de Polícia Sanitária, as primeiras medidas específicas contra a doença:
Em 1921, devido à preocupação frente aos prejuízos ocasionados pela febre aftosa (Decreto 24.548, de 3/7/34); em 1951, devido à preocupação frente aos prejuízos ocasionados pela febre aftosa, promoveu-se a reestruturação e o aperfeiçoamento do Código; em 1951, em decorrência das propostas firmadas durante a 1ª Conferência Nacional de Febre Aftosa, foi implementado um programa nacional de combate à doença, que não obteve resultados satisfatórios devido à carência de recursos financeiros e humanos, além de não se dispor de uma vacina eficiente.
Através do Decreto 52.344, de 9/8/63, o Governo instituiu, no âmbito do Ministério da Agricultura, a Campanha Contra a Febre Aftosa (CCFA), constituindo equipe técnica para a sua gestão. Dois anos depois, em 1965, foi implantado o Programa de Combate à Febre Aftosa no Rio Grande do Sul. No ano seguinte, foi estendido aos Estados de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso, Goiás, Rio de Janeiro e Sergipe.
Em 1968 foi contraído empréstimo junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para financiamento do então Projeto Nacional de Combate à Febre Aftosa, em três etapas. A primeira etapa, utilizando recursos provenientes do financiamento, desenvolveu-se no período de 1972 a 1975; a segunda, realizada no período de 1975 a 1977, utilizou recursos de fundos nacionais e incorporou os programas de Raiva de Herbívoros e Brucelose Bovina. A terceira etapa foi desenvolvida no período de 1977 a 1982.
A partir de 1987, com financiamento do Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento (BID), foi implantado o Projeto de Controle das Doenças dos Animais, com especial atenção ao controle e à erradicação da febre aftosa, cujo término, a princípio previsto para 1994, foi prorrogado até março de 1996.
CrescimentoA meta de transformar o Brasil no maior exportador mundial de carne, em cinco anos, anunciada no começo de maio em Uberaba pelo ministro da Agricultura, Marcus Vinícius Pratini de Moraes, deve começar a se tornar realidade, devido à obtenção do certificado de zona livre de aftosa para o Circuito Pecuário Centro-Oeste: o chefe do Departamento Econômico da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Vicente Nogueira Netto, prevê um aumento de 30% nas exportações deste ano, em relação a 1999.
Esta previsão coincide com a do Ministro, que previra faturamento de US$1 bilhão nas exportações de carne bovina. O aumento previsto em volume (25%) de carnes elevará de 560 mil toneladas no ano passado para 700 mil toneladas. Nogueira Netto espera também aumento da renda da pecuária e a abertura dosmercados dos Estados Unidos, Canadá, Japão, Coréia e China, para a carne bovina brasileira in natura.

mockup