Carlos Bento Ferrante, produtor de leite em Cambira (19 km a oeste de Apucarana), está entusiasmado com as perspectivas que a produção de leite a pasto poderá trazer para sua atividade.
Ele é um dos pioneiros do Programa Leite Ivaí, projeto que nasceu no ano passado em Cambira, com apoio da Emater e secretaria municipal de Agricultura, para auxiliar pequenos produtores a se manterem na atividade.
Produtor de leite há mais de 20 anos, Ferrante se dizia ''desanimado com a atividade'', reflexo da baixa produtividade por área e alto custo de produção.
Esse primeiro ano foi de acertos por parte dos 39 produtores que integram o Leite Ivaí. No caso de Carlos Ferrante, que tem 24 ha, a produção era de 15 litros/dia, com 45 vacas em lactação.
Mudanças no sistema de produção e genética do plantel, possibilitaram, nesses 12 meses, saltar para uma produção de 200 litros/dia com 20 vacas em lactação. A média pulou de 3 litros/dia/vaca para 10 litros/dia/vaca.
O leite agora é armazenado num resfriador comunitário, que fica na sua propriedade e é coletado por um caminhão refrigerado da cooperativa Colari, outra parceira do Leite Ivaí.
Num total de 8,5 ha de piquetes, divididos com cerca elétrica, as pastagens foram formadas com grama tifton. Outras gramíneas ou forrageiras também podem ser usadas, informa Gerado Sincero, da Emater e coordenador do projeto.
No sítio de Ferrante os animais ficam um dia em cada piquete, o que garante, segundo ele, boa qualidade de comida. No inverno, quando não há muita produção de verde, os animais se mantêm. O rebanho, neste período, recebe também silagem de milho e cana com uréia.
O trato dos animais é feito por um dos filhos de Carlos, Rogério, que conta com a ajuda da irmã Míriam e mais dois empregados. Carlos Ferrante, aliás, fala com orgulho da filha que, segundo ele, tem participado de vários cursos de aperfeiçoamento em pecuária leiteira. ''Mais importante é que ela aprende e implanta na propriedade,'' elogia o técnico da Emater.
Míriam, que tem 23 anos, trabalha desde os 12 no sítio. O próximo curso será de inseminação artificial para poder inseminar as novilhas. É ela quem mais elogia o modelo de produção a pasto: ''É mais fácil de manejar o gado nos piquetes, rende mais e os gastos são menores.''
Carlos Ferrante admite que está numa fase de transição. O objetivo é produzir de 400 a 500 litros/dia, ''ou mais''. Hoje ele tem 200 litros, mas a capacidade de área, mão-de-obra e a disposição do produtor indicam que há condição de chegar a mil litros/dia, basta gerenciar sanidade do rebanho, manejo e ração.
O técnico garante que, mesmo em fase de implantação ou transição em muitas propriedades, caso do sítio de Carlos Ferrante, o modelo do Leite Ivaí permite que o produtor colha resultados em curto prazo. O objetivo é aumentar em 30% a produção e reduzir em 20% os custos.
Segundo ele, o maior problema dos pequenos produtores sempre foi baixa produção por área e altos custos de produção, o que levou a muitos desistirem da atividade.
Outro entrave estava na falta de alimentos em quantidade e de qualidade e falhas na seleção do rebanho. ''Se tinha uma vaca dando leite para outras três secas, aumentando custos com a atividade.''
Um dos avanços na produção a pasto foi o aumento do número de animais por área. Onde se tinha três cabeças/ha, é possível ter até 12, informa o técnico.
De acordo com o extensionista, silagem, cana com uréia, ou outros, devem ser alimentos complementares. A pastagem deve ser a base da produção já que pode ser usada de seis a oito meses no ano; enquanto a alimentação suplementar é indicada apenas durante o inverno.
Ele tem orientado também que os produtores passem a fazer a pastagem de inverno, com o plantio de aveia forrageira.

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