A busca por alternativas energéticas no Brasil toma como base a condição privilegiada do país. ''A matriz energética brasileira é, indiscutivelmente uma das mais limpas do mundo'', enfatiza Denilson Ferreira, coordenador-geral de Agroenergia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Ele destaca o papel das usinas hidrelétricas e dos biocombustíveis na conquista do posicionamento brasileiro a nível mundial.
Para Ferreira a condição brasileira pode ampliar suas possibilidades. ''A agroenergia ampliará sua participação na matriz energética e será cada vez mais um item da cesta de exportação brasileira'', prevê, fundamentando a afirmação ''no conjunto de potencialidades, bem como na rápida resposta que o setor produtivo tem dado ao mercado nos últimos anos ''.
O técnico do Mapa considera grande o potencial das fontes renováveis no País. Segundo ele, o crescimento é possível com a ampliação daquelas em que se tem domínio tecnológico, como no caso das fontes hidrelétrica, solar, eólica, florestas energéticas, biogás, assim como pelo desenvolvimento científico e tecnológico em outras áreas, especialmente no caso dos bicombustíveis.
Ferreira afirma que a cana-de-açúcar tem alcançado destaque, não apenas em razão do etanol, mas também pela produção de eletricidade a partir da queima do bagaço. ''Outra fonte importante nesse contexto é o carvão vegetal que tem como principal aplicação o uso na siderurgia'', acrescenta.
Para aproveitar o potencial já conhecido e ainda desenvolver novas alternativas, o Mapa instituiu o Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel. Por meio do programa, segundo o técnico, obtém-se ganhos em várias frentes, sobretudo na organização da agricultura familiar. ''O investimento na produção de opções para agroenergia tem gerado volume significativo de emprego e renda, além do melhor resultado na balança comercial, na medida em que se evita a importação de diesel'', afirma Ferreira. Ele cita também os ganhos ambientais, com a redução da emissão de gases de efeito estufa e melhoria da qualidade do ar nos grandes centros urbanos.
Segundo Ferreira, o Ministério atua em duas frentes. A primeira diz respeito ao fomento das culturas oleaginosas que se detém domínio tecnológico como canola, dendê, mamona, girassol, e outras. ''A segunda frente diz respeito a uma intensa agenda de P&D (pesquisa e desenvolvimento) em relação às espécies com alto potencial produtivo que não se tem domínio tecnológico como o pinhão-mando, a macaúba e outras palmáceas'', explica. (R.C.)

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