Segundo Edson Souza, a maior dificuldade dos curtumes está em encontrar matéria-prima de qualidade. ‘‘Sofremos quando temos que atender pedidos mais qualificados’’, lamenta. Como a pecuária nacional é extensiva, os animais ficam mais expostos às intempéries, assim como a carrapatos e bernes, que comprometem a pele para a indústria. A falta de cuidados na vacinação do animal também danifica o couro, completa o empresário.
  ‘‘Ao final do curtimento, o couro é selecionado conforme os defeitos apresentados e quanto mais marcações de carrapatos e bernes, menor o valor de venda desse couro’’, explica.
  Visando melhorar a qualidade do couro nacional, o Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), criou o Programa Brasileiro da Qualidade do Couro (PBQC), que já capacitou 58.341 pecuaristas, profissionais, universitários e alunos de escolas agrotécnicas sobre qualificação da matéria-prima nacional e padrões de sanidade animal do País.
  Lançado em outubro de 2004, o programa já realizou 2.187 treinamentos, palestras e cursos técnicos, organizados em cinco módulos – pecuarista, esfola, universitário, caprinos e ovinos, e peles exóticas.
  O módulo pecuarista capacitou 28.787 produtores de 17 estados em 1.253 ações. Desse total, 18.922 pecuaristas foram orientados por universitários multiplicadores do programa e outros 650 treinados pela coordenação nacional do PBQC. Os consultores estimam uma redução da ordem de 2% na incidência de ectoparasitas, o equivalente a R$ 44,8 milhões. Outro ganho foi a diminuição em 12% na marcação a fogo nas partes nobres dos couros bovinos.
  Já o módulo esfola treinou 9.143 funcionários de 348 frigoríficos e abatedouros. Após os treinamentos, os técnicos registraram redução de 50% nas estrias relacionadas ao processo de esfola, de 45% na ocorrência de raias e de 30% nos furos das peças.

mockup